A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 29/05/2020

Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. Essa é a imagem presente no quadro O grito do pintor Edvard Munch, pois, na elaboração dessa arte expressionista, vê-se, ao fundo da tela, personagens que se mostram indiferente à angústia evidenciada pela figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que as vítimas da desvalorização da tecnologia no combate à criminalidade vivem algo semelhante, tendo em vista que elas têm sido esquecidas por alguns setores da sociedade. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no Brasil.

Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao não usar a tecnologia para combater a criminalidade. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de investimento financeiro, uma vez que faltam verbas em pesquisas de iniciação científica para o desenvolvimento de mais aparelhos que auxiliem no combate ao crime, o que prejudica o direito à segurança. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido o bem-estar de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais, alicerçados nos ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.

Também, observa-se que o silenciamento social frente à desvalorização do uso de tecnologias no combate ao crime apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários à criação de leis mais rígidas, posto que a legislação em vigor não prevê a obrigatoriedade de equipamentos eletrônicos de vigilância em estabelecimentos, comprometendo, então, a seguridade do local. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neumann para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma ``espiral do silêncio´´, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.

Ressalta-se, portanto, que o uso da tecnologia para combater o crime deve ser incentivado. Logo, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, um maior investimento financeiro em pesquisas científicas para a criação de aparatos tecnológicos cada vez melhores visando a garantia da segurança. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por órgãos não governamentais, a respeito da necessidade haver um maior engajamento coletivo na ruptura de discursos dominantes, potencializando, assim, a criação de um ordenamento jurídico que prevê a obrigatoriedade do uso de equipamentos para a segurança. Desse modo, o grito - diferentemente do da obra de Munch - poderia romper o silêncio dos resignados.