A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 02/06/2020
Segundo o filósofo Marshall McLuhan, a internet é a maior invenção do homem depois da roda e, assim como esta, não aponta o destino, mas apenas facilita o caminho. Diante disso, as tecnologias, como a internet, se usadas com o propósito de reduzir a criminalidade, têm o potencial de facilitar o trabalho do governo brasileiro contra a violência no país, visto que possibilita o aumento da fiscalização e atua como um instrumento de denúncia.
Em primeiro plano, as tecnologias ampliam o poder estatal na vigilância dos crimes. Isso acontece porque as câmaras de segurança potencializam o que o sociólogo Max Weber chamou de “poder racional-legal”, que é baseado nas leis e permite ao Estado o uso legítimo da força física no país, a fim de controlar episódios de criminalidade que põem em risco a segurança dos cidadãos. Nesse sentido, a atuação da polícia brasileira na detecção de crimes é realizada de forma mais rápida e eficaz, pois o monitoramento feito por esses instrumentos direciona a ação policial para os lugares onde o crime ocorre e economiza o tempo que seria preciso para alcançar essas atividades maléficas.
Em segundo plano, as tecnologias permitem que a sociedade civil se posicione de forma ativa no combate ao crime. Isso ocorre porque, com a internet, por exemplo, os cidadãos podem auxiliar às autoridades na fiscalização de atividades criminosas, pois as denúncias realizadas na rede atingem proporções que superam as barreiras geográficas e temporais. Essa dinâmica reafirma o que é tratado no livro “Microfísica do poder”, no qual o filósofo Michel Foucault afirma que a dominação não é mais exercida por uma única fonte, mas sim em várias direções, cotidianamente. Dessa forma, tal fragmentação do poder, possibilitada pela tecnologia, dificulta a realização de ações criminosas, visto que o indivíduo se encontra cercado, em todos os âmbitos, por pessoas com ferramentas para denunciá-lo.
Portanto, para de potencializar a força da tecnologia no enfrentamento da criminalidade, é mister que o Ministério da Defesa amplie os mecanismo de proteção para todo Brasil. Isso pode ocorrer com o fornecimento de subsídios suficientes para os municípios instalarem equipamentos de vigilância em regiões onde o crime aparece de forma mais intensa, a fim de que o acesso aos benefícios dessa tecnologia possam ser democratizados. Além disso, os governos estaduais devem promover a capacitação dos profissionais de segurança, por meio de um curso semestral em que especialistas atualizem e ensinem esse grupo a utilizar as ferramentas tecnológicas, com o fito de obter a maior eficácia nesse processo. Assim, será possível que, tal como a roda foi essencial para a locomoção da humanidade, as tecnologias possam direcionar o Brasil para longe da criminalidade.