A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 30/05/2020

Na obra “1984”, do escritor George Orwell, os habitantes de Oceania são constantemente observados pelas “teletelas” espalhadas pela cidade com o objetivo de controlar a população. No entanto, saindo dessa esfera ficcional, a ambientação retratada no livros, sob o viés do autoritarismo, se converte num panorama favorável do uso da tecnologia no combate ao crime que, no Brasil, se mostra eficiente na redução de mortes, mas, ainda assim, deixa evidente o baixo investimento no setor.

A princípio, a matriz da questão é evidenciada ao se analisar que a utilização da tecnologia no combate à criminalidade é uma importante ferramenta  de redução do número de mortes violentas no país. Isso acontece quando, ao incorporar os mecanismos tecnológicos aos procedimentos padrões de enfrentamento ao crime, o Estado otimiza a atuação dos profissionais de segurança pública ao aumentar a eficiência no enfrentamento da criminalidade e, consequentemente, redução dos seus principais efeitos para o corpo social, como os índices de mortes violentas. Como prova disso, segundo levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve, no Brasil, uma redução de 22% no número de homicídios no mesmo período em que aconteciam os primeiros testes de sistemas integrados no corpo policial de alguns estados, em 2019. Isso revela que a tecnologia vem sendo uma importante aliada à redução das mortes violentas no país.

Paralelamente a isso, o cenário nacional “caminha afastado” de uma situação favorável ao se analisar os baixos investimentos em tecnologia contra à violência. Isso decorre do fato de que, mesmo com as reduções apontadas pelo IBGE, esse panorama poderia render “melhores frutos” senão fosse a negligência estatal que destina recursos aos procedimentos antigos de combate em detrimento da modernização tecnológica dos agentes de enfrentamento ao crime no país. Isso fica ainda mais evidente, segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública, que mostrou em levantamento que o Brasil investe pouco em novas ferramentas tecnológicas de combate à criminalidade. Isso revela, por sua vez, a necessidade de aliar investimentos na inovação ao combate aos delitos no país.

Desse modo, é imprescindível promover a modernização do enfrentamento ao crime. Com isso, cabe ao Estado a tarefa de implementar a novos mecanismos tecnológicos no setor em questão por meio de parcerias público-privada, oferecendo incentivos fiscais às empresas que investirem recursos na compra de inventários modernos com uso de tecnologia de ponta, como drones e sistemas de integração entre viaturas, por exemplo, para aumentar a eficiência do embate da lei contra o crime. Tudo isso para garantir que, diferentemente do que aconteceu em “1984”, a tecnologia seja uma importante aliada na busca por proteção social nos dias atuais.