A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 03/06/2020

O protagonista do episódio “Shut Up and Dance” da série “Black Mirror” é coagido, através do meio virtual, a executar diversas atividades que lhe torturam psicologicamente, a partir de ameaças de seu agressor. Fora da ficção, esse cenário ocorre com frequência para a realização dos mais variados delitos, como “revenge porn” e pedofilia. Nesse contexto, a implantação de tecnologias para o combate e prevenção de crimes tanto virtuais quanto físicos se mostra de extrema importância e valia. Porém, é necessário apontar possíveis empecilhos de tais ferramentas.

Em primeiro prisma, deve-se discorrer acerca da importância da modernização do combate à criminalidade. Desde a Terceira Revolução Industrial, a tecnologia se tornou parte importante da sociedade; contudo, ela criou novas transgressões, tal qual a clonagem de cartões, e novos meios de se praticar antigos delitos, como a pedofilia. Algoritmos e recursos que aumentem a capacidade de vigilância e identifiquem problemáticas do tipo antes que elas aconteçam tornam mais rápida a ação das autoridades e reduzem os danos não só à população, mas também aos profissionais de justiça, que se expõem menos ao risco e preservam sua saúde mental.

Entretanto, há de se ponderar possíveis entraves do uso da tecnologia no enfrentamento a criminosos. Nesse contexto, vale o questionamento: até que ponto a falta de recursos de alguns municípios pode acabar dando a sensação de segurança a apenas uma parte da população e excluindo a outra de tais benefícios? Dessa maneira, deve-se garantir que tais melhorias não sejam utilizadas apenas nas maiores cidades. Ademais, esse incremento tecnológico tem sua eficiência reduzida caso os profissionais envolvidos não estejam capacitados para sua utilização. Sendo assim, investir nesses pontos se mostra de fundamental importância.

Portanto, faz-se necessária a tomada de medidas para garantir o uso da tecnologia no combate aos crimes por todo o Brasil. Dessa forma, as Secretarias de Segurança Pública estaduais, por meio de recursos destinados pelo Tribunal de Contas da União, devem investir não apenas na compra e distribuição de aparatos tecnológicos de combate à criminalidade para todos os municípios, mas também na capacitação dos profissionais envolvidos. Com essas medidas, espera-se reduzir a ocorrência de infrações e aumentar a eficiência do sistema penal.