A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 10/06/2020

A sociologia positivista de Auguste Comte, formulada durante o século XIX, exerceu forte influência sobre a bandeira brasileira, a qual traz o lema “ordem e progresso”. Assim, ao passo em que o país incorpora tal expressão e agrega as inovações tecnológicas atuais, as autoridades vêm aumentando o combate à criminalidade, de modo a garantir maior segurança, exceto quando substituem o homem pela máquina, resultando num efeito controverso.

De acordo com o alemão Jurgen Habermas, a tecnologia desempenha um papel comunicativo na sociedade, em que, por meio dela, a razão comunicativa (proposta pelo filósofo) visa beneficiar a esfera social. A partir dessa análise, evidencia-se que a segurança promovida por aparelhos tecnológicos, como a câmera de segurança, alarmes e outros, permite a interação eficaz entre os agentes policiais e o mundo do crime, uma vez que tais tecnologias agilizam a identificação e apreensão de criminosos. Além disso, a população civil também pode registrar e alertar denúncias por meio dos celulares, a qualquer momento e rapidamente, contribuindo para uma sociedade mais justa.

O sociólogo clássico Émile Durkheim caracteriza o crime como uma anomia social, a qual ocorre devido a insuficiência das instituições que regem a sociedade. De maneira análoga, é possível desprender que a tecnologia, a medida em que não é conduzida corretamente pelas autoridades econômicas, pode dar espaço ao crime, como, por exemplo, quando o trabalhador é substituído por máquinas e não há outras alternativas de garantir seu sustento. Assim, desde a revolução industrial, há um crescente contingente de desempregados que culminam em complexas organizações criminosas, como o Comando Vermelho (no Rio de Janeiro), as quais buscam, por meio de ilegalidades, melhorias nos espaços marginalizados em que vivem.

Destarte, faz-se necessário que o combate à criminalidade com a tecnologia permaneça atuando sobre a sociedade, mas de forma reorganizada. Deste modo, as instituições pública e privada poderiam estabelecer os aparelhos tecnológicos como auxiliadores dos trabalhadores, não como substitutos, contratando funcionários a medida em que fazem uso das máquinas. Ademais, a longo prazo, os órgãos de ensino (escolas, faculdades) poderiam adicionar ao curriculum escolar a disciplina de tecnologia e seus impactos. Em conjunto, essas ações refletir-se-iam à sociedade e promoveriam melhorias na economia, educação e segurança, a fim de cumprir com o legado histórico do país para todos brasileiros: “ordem e progresso”.