A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 01/06/2020
No episódio " White Bear ‘’, do seriado americano Black Mirror, é retratado um contexto no qual a tecnologia é aplicada em serviço da punição de um crime. Nesse sentido, a ficção faz paráfrase à realidade, quando se observa, no Brasil, a possibilidade de usar os meios tecnológicos, como drones e aplicativos para denúncia virtual, no combate à criminalidade. Assim, é necessário entender as questões estruturais que impedem a difusão dessa parceria, de modo a ampliá-la no cenário nacional.
É válido salientar, a princípio, que grande parte desses problemas estruturais está relacionado ao monopólio tecnológico dos meios relacionados à segurança. Nesse cenário, é nítido que, apesar de diversos meios tecnológicos já existirem no Brasil, como os mecanismos de controle de dados e de fiscalização virtual, eles, muitas vezes, encontram-se restritos ao uso de grandes empresas ou nomes poderosos do cenário nacional, uma vez que esse tipo de tecnologia tem um custo mais avançado de produção e manuseio, o que deixa grande parte dos indivíduos e empresas de médio e pequeno porte à margem de grande parte desse conglomerado tecnológico, representando um desserviço à sociedade. Diante disso, um contexto probatório dessa questão é definido por pesquisas do grupo de consultorias Gartner, as quais apontam que, em alguns anos, 80% das grandes empresas terão acesso a algumas tecnologias ligadas à segurança. enquanto que, entre as pequenas empresas, apenas 10% terão acesso aos mesmos meios, demonstrando a necessidade de mudança nesse quadro.
Além disso, seria ingênuo não destacar a benéfica atuação de empresas privadas na difusão de medidas que incentivam o combate a criminalidade por meio dos aparatos tecnológicos. Diante disso, é importante enaltecer alternativas criadas, por exemplo, pela loja de artigos em geral Magazine Luiza, que abriu um canal de denúncias para a violência doméstica em seu site de compras, de modo a facilitar a descoberta de um crime que, geralmente, é de difícil apresentação às autoridades. Isso posto, é notório que essa medida é um benéfico exemplo do uso da tecnologia no combate à criminalidade e precisa ser difundido no Brasil, de maneira a abranger essa e diversas outras infrações.
Mostra-se, portanto, essencial a adoção de medidas que visem à superação do paradigma supracitado, por meio, sobretudo, da atenuação dos problemas estruturais e da ampliação dos meios alternativos de uso da tecnologia no combate à criminalidade. Nesse ínterim, é necessário que o Estado, por meio do Ministério da tecnologia, amplie a difusão de tecnologias semelhantes às das grandes empresas, mas com custo menor, de modo a, aliado à isenção fiscal para empresas que adotarem medidas como a da Magazine Luiza, aumentar o uso dessa parceria relacionada à tecnologia no combate ao crime e aproximar a realidade da ficção exposta em Black Mirror.