A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 15/06/2020

Há pouco mais de dois anos houve o assassinato de Marielle Franco, vereadora, e seu motorista, Anderson Gomes, no Rio de Janeiro. Neste caso, os investigadores recorreram à tecnologia para identificar seu assassino, e graças à Ciência de Dados foi possível saber por quanto tempo o crime foi organizado, o tipo de arma utilizado no momento e então o número de suspeitos diminuiu, levando-os aos possíveis criminosos. Contudo a tecnologia para o combate ao crime não é sempre utilizado no Brasil, ou é utilizado de maneira inadequada. Tal fato ocorre pelo despreparo dos policiais quanto as tecnologias inseridas em seu cotidiano e pela escassez de investimento governamental.

No caso de Marielle e Anderson, os policiais responsáveis pela investigação, utilizaram o formato errado ao salvar um vídeo crucial para o solucionamento do caso, e somente um ano depois conseguiram corrigir o erro e assistir o vídeo em que mostra o percurso percorrido pelos assassinos. Apesar de toda a tecnologia disponível, a polícia brasileira não possui o conhecimento tecnol[ogico necessário para a solução de crimes, visto que, segundo o Conselho Nacional do Ministério Público, só 8% dos casos de homicído são solucionados no país.

Ademais, é indubitável que o descaso público frequente com os setores de prevenção de crimes pelo uso de tecnologias no Brasil esteja entre as causas dessas problemáticas. De acordo com o Ministério Público, não há no Brasil integrada de combate ao crime que use as informações adquiridas pelos recursos tecnológicos a nível nacional. Além disso, consoante a ONG Safernet e dados das Secretarias de Segurança Pública estaduais, o país carece de equipamentos tecnológicos, como câmeras, sistemas de identificação e plataformas de compilação de denúncias nos estados e municípios, o que já é uma realidade em outros países, a exemplo da Inglaterra. Tal conjuntura mostra um dos maiores problemas, que é a falta de investimento por meio dos órgaos governamentais brasileiros.

Portanto, urge que o Estado Brasileiro tome medidas eficazes para o aumento da solução e prevenção de crimes a nível nacional. Primeiramente deve haver o preparo de pelo menos dois policiais de cada delegacia para que não haja a perca de arquivos importantes ou a não utilização pela falta de entendimento de como funcionam tais tecnologias. Além disso, cabe ao Ministério da Justiça, por meio de auditoriais, cobrar dos estados a aquisição e a manutenção, mediante protocolo, de equipamentos tecnológicos de salvaguarda social, como as câmeras e as plataformas de compilação das denúncias nas cidades, a fim de garantir o uso adequado desses recursos e reduzir a criminalidade urbana.