A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 01/06/2020

“A hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros, representam um traço de nosso caráter”. Sob paráfrase ao sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, quando realça o homem cordial, a benevolência do indivíduo em interações sociais é evidenciada. Em contrante, porém, a criminalidade é um óbice que renega a lhaneza que fora utopizada pelo pensador. Dessa maneira, a tentativa da utilização de tecnologias é recorrente para combatê-la, mas ainda representa uma realidade distante em países emergentes, devido dois problemas que urgem resoluções: a falta de investimentos no campo de informação que, pela imperícia causal, gera impasses na privacidade dos cidadãos.

A priori, vale ressaltar que as nações subdesenvolvidas são desintegradas das novas tecnologias, desde a supremacia de potências econômicas nas Revoluções Industriais. Dessa forma, o retrocesso invade vários campos de organização estatal, incluindo a segurança pública. Segundo estudos realizados na Universidade de Chicago, a retrogradação, ao incapacitar a eficácia combate à criminalidade, viabiliza a crescência exponencial da violência. Sob essa ótica, tendo em vista que o Brasil é um dos países que decorrem o definhamento em inovações, os indivíduos tornam-se cada vez mais distantes do ideal cordial, suscitado por Sérgio de Holanda.

Por conseguinte, a privacidade sofre consequências. Consoante Kaspersky, proprietário e pesquisador em algorítimos de antivírus, a segurança de dados se tornou um óbice em esferas globais, que agem como empecilho de resoluções de problemas que envolvam redes de informação. Destarte, cerca de 46% de empresas que agem com litígio aos fenômenos criminais são invadidas ou atacadas ciberneticamente, de acordo com a Forbes Insights, sendo a maioria da ocupação ilegal, em países em transição. Dentro desse prisma, a segregação tecnológica impede que o gozo ao direito à Proteção social, assegurado pela Organização das Nações Unidas, seja efetivamente exercido e os homens se distanciam do cordialismo e, em contrapartida, fundem-se ao cenário desarmônico e marginalizador.

Portanto, o “apartheid” social deve ser alvo de resoluções. Para tanto, cabe a UIT, órgão das Nações Unidas voltado às Telecomunicações e às Tecnologias da Informação e Comunicação, a criação de redes de proteção ao serviço de dados, sobretudo em empresas que visam o combate à criminalidade, por intermédio de aplicativos desenvolvidos com tecnologias utilizadas em países desenvolvidos, devendo abranger, principalmente, os Estados emergentes. Somente assim, as inovações de tecnologias poderão conciliar-se, democratizadamente, ao aparato  da proteção social e o homem se aproxime da cordialidade.