A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 02/06/2020
A filosofia, muitas vezes, assume valor essencialmente prático na atualidade. A famosa frase de Sócrates ``conhece-te a ti mesmo´´, por exemplo, que enaltece a importância do autoconhecimento, deve servir de referência para as pessoas aumentarem seus Estados de Consciência e, de fato, evitarem a utilização compulsiva e patológica de tecnologias no combate à criminalidade. De certo, esse problema condena a sociedade à irracionalidade e tem muita relação com a concepção de lucro dos cidadãos e da Indústria de Segurança, no século XXI.
Antes de tudo, é importante mostrar o lado psicológico por trás desses indivíduos da elite econômica que compram excessivamente apetrechos tecnológicos de segurança para combater a criminalidade. Desse modo, na pós modernidade, percebe-se a submissão total das pessoas aos seus bens materiais e um medo constante de perdê-los, já que foram arduamente conquistados, na maioria das vezes. Esse medo de viés mercantilista, comprovado pelo livro ``Medo Líquido´´ do Zygmunt Baumam, faz a classe A da sociedade substituir segurança -estado psíquico- pela proteção, ou seja, há tanta preocupação com os bens materiais, lucro e trabalho, que as medidas externas de proteção, como câmeras de segurança e cercas elétricas, sobrepõem-se à segurança psicológica. Nesse caso, conclui-se que o combate à criminalidade reflete a ideologia materialista pregada pelo Império Capitalista e se torna patológico, pois, pode gerar transtornos emocionais.
Depois, é fundamental enaltecer o papel da coalizão entre mídia e Indústria de Segurança na compulsão dos indivíduos por tecnologias de segurança para combater a criminalidade. Assim, em virtude de os meios de comunicação sensacionalizarem e mostrarem demasiadamente crimes, muitos indivíduos se desesperam e compram tecnologias de segurança para se protegerem. Essa alienação, infelizmente, visa gerar clientes e, por consequência, lucro para o mercado das tecnologias de segurança que, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Segurança, cresce 20% e movimenta 1,8 bilhões de reais, ao ano.
Portanto, uma proposta é necessária para, pelo menos, minimizar o impasse. Ademais, com o objetivo formar uma sociedade inalienável, mais desapagada de seus bens materiais e menos obsessiva por tecnologias de segurança no combate à criminalidade, é urgente que as pessoas tenham mais autoconhecimento e se tornem reflexivas e críticas. Essa proposta ocorrerá por meio de ação conjunta dos cidadãos, com a maior leitura de revistas e livros e com a prática da reflexão, durante o tempo livre, em frente a espelhos ou em contato com o meio ambiente. Enfim, à luz dos ideais de Sócrates que valorizam o autoconhecimento, a sociedade ficará livre de mais uma mazela social.