A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 02/06/2020

Uma das sociedades mais brilhantes tecnologicamente do século XX sucumbiu a atrocidades que acarretariam o maior genocídio da história, ao mesmo tempo que criou um corpo social imergido em desenvolvimento tecnológico e científico, a Alemanha formou indivíduos alienados socialmente. Sob esse viés, a tecnologia não pode combater a criminalidade se tornar-se impulso dela. Desse modo, a inadvertência social iniciada na infância e a dupla personalidade do mundo técnico contribuem para a submersão dos cidadãos  em uma sociedade repleta de transgressões.

Em primeira análise, infere-se que, as pessoas nunca estiveram tão alheias ao mundo ao seu redor como na era da informação. Nesse ínterim, o acesso a tecnologia está sendo introduzido na vida dos indivíduos cada vez mais cedo, englobando progressivamente as crianças à sociedade de consumo. Sob essa ótica, a modernização está pulsando ao redor dos seres humanos. Mas o mesmo sistema lógico-matemático que os fez exímios construtores de  produtos revolucionários sequestrou a emoção, asfixiou a maneira de encarar e interpretar o sofrimento. A dor humana virou estatística. Haja vista que, a sociedade contemporânea não está formando cidadãos críticos e autônomos, e sim, seres alienados socialmente como denunciado por Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”. Desse modo, se o desenvolvimento tecnológico não for trabalhado pelas ciências humanas, em vez de abrandar o fantasma do impulso agressivo do ser humano, torna-se um estímulo a ele.

Em segundo lugar, ressalta-se que, embora a tecnologia tenha tornado-se eficaz em algumas situações de combate à criminalidade, ela torna-se meio para a transgressão em outros contextos. Ademais, ao mesmo tempo em que as mídias sociais encurtaram distâncias, tornaram-se veículo para a exposição em massa nas redes sociais. Sob esse prisma, a internet é um mundo grande e perigoso, sendo dividida em : surface web, deep web e dark weeb. Acerca disso, existe um lado obscuro e sem fiscalização que serve de meio de comunicação para atos criminosos, podendo usufruir do conteúdo de exibição dos indivíduos e manipulá-los através desses dados. Pode-se dizer, então, que apesar de acelerar investigações e otimizar o trabalho, a tecnologia não é sempre aliada da justiça.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, o Governo Federal em parceria com a escola deve criar cidadãos emancipados aptos a transformar a sociedade por meio de uma disciplina voltada para o ensino do uso correto das mídias sociais e para a instigação do pensamento crítico dos indivíduos. Em acrescência, o Governo Federal deve promover segurança virtual por meio da criação de um órgão voltado para a fiscalização do conteúdo online. Visando por meio dessas, não replicar a sociedade alemã e promover o combate à criminalidade.