A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 06/06/2020

A filósofa brasileira Marilena Chauí defende a noção de democracia como um sistema que garante a igualdade no acesso aos direitos constitucionais. Porém, o cenário desafiador de combater a criminalidade com o auxílio da tecnologia no Brasil, contraria na prática a efetivação desse princípio constitucional. Diante disso, nota-se tanto a formação socioeconômica quanto a inoperância estatal em garantir o acesso aos direitos como impulsionadores do imbróglio.

Vale ressaltar, de início, a formação econômica do país como causa do problema em questão. Nesse viés, segundo o inventor americano Steve Jobs, “a tecnologia move o mundo”. Desa forma, pode-se relacionar a ideia do inventor a adoção de medidas tecnológicas na colaboração do combate ao crime, por intermédio de câmeras de segurança e drones, o que de certa forma gera uma sensação de segurança na população pois se pode ter acesso e auxílio mais rápido em casos de desproteção. Contudo, sabe-se que a adoção de tecnologias para a segurança é dispendioso e nem todos podem ter acesso a tais equipamentos tecnológicos. Dessa maneira, evidencia-se a importância da atuação da Escola, por meio da discussão do tema, para uma transformação dessa realidade.

Cabe destacar, ainda, que a ineficácia de políticas públicas protetivas comprometem a resolução do impasse. Essa situação persiste devido às falhas do Estado no que diz respeito ao não cumprimento dos seus deveres, como garantir o acesso a segurança pública de qualidade e a escassez de agentes públicos assegurando a segurança nas ruas. Relacionado a isso, o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, em sua obra, “O Cidadão de Papel”, refere-se a um cidadão com direitos adquiridos, porém não usufruídos, quase sempre por falta de condições fornecidas pelo Estado. Assim também ocorre com as pessoas menos favorecidas no país, uma vez que os direitos à educação, saúde e à segurança são constantemente negados pela atual condição de precariedade estatal brasileira. Dessarte, fica clara a urgência na resolução da problemática.

Fica evidente, portanto, que os desafios no combate a criminalidade com a ajuda da tecnologia no Brasil é um problema e que necessita ser combatido. Para tanto, assiste ao Estado - órgão responsável pela ordem social - investir em sistemas de segurança que monitorem os locais públicos de maior movimentação e disponibilizem mais concursos públicos para cargos de guarda municipais, por meio da reorganização do erário, o qual possibilite o acesso democrático a segurança pública de qualidade nas cidades brasileira, a fim de reverter esse quadro deletério. Destarte, chegar-se-á ao ideal proposto pela filósofa.