A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 06/06/2020

Ao longo do processo de formação das sociedades contemporâneas, a vigilância, como mecanismo de controle adentrou os mais variados ambientes, sejam eles presenciais, virtuais ou psicológicos, tornando a fronteira de espaços públicos e privados, inexistentes. Câmeras e dispositivos que possuem o intuito de garantir a segurança pessoal e coletiva, evidenciam a sensação de insegurança da mentalidade moderna. Sob essa perspectiva, devemos analisar as problematizações da utilização das tecnologias para vigilância, como uma manifestação da insegurança dos ambientes urbanos e uma busca por controle social.

Em primeira análise, é notório evidenciar que o medo na mentalidade moderna, materializa-se na forma de equipamentos voltados para a vigilância. Dessa forma, Bauman em “Medo Liquido”,  adverte que na contemporaneidade as relações sociais são pautadas por uma crise de confiança, assim,  os cidadãos são cercados por guaritas, grades e câmeras. Sob essa ótica, nota-se que o discurso da tecnologia para o combate a criminalidade, é respaldado no aspecto da presença constante do risco, e consequentemente, molda os comportamentos dos cidadãos, tornando todos os indivíduos possíveis  “carrascos” e, portanto, passiveis de serem vigiados

Além disso, é imprescindível pensar que sob a égide da segurança,  discursos de controle surgem corporificados nas tecnologias de vigilância. Nesse sentido, Orwell no clássico “1984”  descreve uma sociedade altamente vigiada por aparatos tecnológicos, como por exemplo, as “teletelas”, um tipo de televisor que monitora, grava e espiona todos os habitantes, controlando comportamentos e aniquilando toda a individualidade. Apesar do gênero fictício da obra, as sociedades contemporâneas fundamentam-se na acentuação desses mecanismos do poder de vigilância, subordinando, hierarquizando e punindo indivíduos, com o pressuposto da segurança coletiva.

Há uma complexidade nessa ocorrência social que demonstra uma necessidade de avaliação por diferentes ângulos e considerações. Para tanto, é necessário que o Governo Federal em conluio com a CAPES, forneça bolsas de estudos para futuras pesquisas acerca dos impactos sociais causados pela expansão da vigilância da sociedade. Ademais, é dever do STF fiscalizar as possíveis transgressões das individualidades.

um tipo de televisor que monitora, grava e espiona todos os habitantes

desse poder disciplinador,

Escolas, hospitais, e prisões, configuram-se na arquitetura e regras o constante ato de vigiar o corpo disciplinado.

Desse modo, a constante vigilância