A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 15/06/2020

Na série televisiva “Black Mirror”, é apresentado, em um dos episódios, um dispositivo que permite a visualização de imagens por meio da memória. Posteriormente, esse aparelho tecnológico foi fundamental para a resolução de uma série de assassinatos na narrativa. Semelhante à ficção, nos dias atuais, a tecnologia de ponta é essencial para combater a criminalidade. Contudo, a negligência governamental e a falta de recursos tecnológicos eficientes contribuem para a ocorrência de crimes e, por isso, devem ser analisadas.

A princípio, é necessário destacar que o governo não tem uma atenção voltada para o desenvolvimento da tecnologia. O Brasil, apesar de ser uma das maiores economias do mundo, foi classificado - pelo Índice Global de Inovação (IGI) - como o 66º entre 129 países mais inovadores de 2019. Com esses dados, é indubitável que o investimento em inovações tecnológicas não condiz com a realidade econômica do país e deve sofrer um aumento para que seja possível reduzir os casos de criminalidade. Outrossim, vale ressaltar que a falta de recursos tecnológicos eficientes é decorrente do descaso governamental. O sistema de vigilância arcaico e escasso juntamente com equipes não preparadas para a alta tecnologia, oferecidos pelo poder público, influencia o comportamento dos criminosos já que, se não estão sendo vigiados ou não se deparam com profissionais capazes de utilizar ferramentas e aparelhos para resolver crimes, estarão aptos a cometê-los. Dessa forma, fica evidente que medidas precisam ser tomadas para que a população fique protegida conforme a Constituição de 1988, quando declara que a segurança é direitos de todos.

Infere-se, portanto, que os dispositivos tecnológicos combinados com uma equipe qualificada são imprescindíveis para erradicar a criminalidade. Assim, com o intuito de desenvolver a tecnologia a favor da proteção social, cabe ao poder público estimular pesquisas por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia ao reduzir a taxa de juros sobre empresas de inovações tecnológicas. Além disso, o Ministério da Justiça e Segurança deve investir - por meio de verbas governamentais - na qualificação de policiais, equipes de vigilância e investigadores para que estes possam estar preparados a trabalhar com uma tecnologia de ponta.