A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 15/06/2020
A série brasileira “Onisciente” retrata o cotidiano de uma sociedade futurística em que, como forma de reduzir a criminalidade e a violência existentes, as autoridades locais monitoram - ininterruptamente – todos os cidadãos da cidade através de drones de segurança. Analogamente ao exposto na narrativa ficcional, a elevada criminalidade existente no brasil tem fomentada a aplicação, cada vez maior, da tecnologia como uma forma de combate a prática criminosa. Nesse ínterim, convém a realização de uma análise crítica acerca dos impactos dessa ação para a nação tupiniquim.
Primordialmente, convém ressaltar que, no que concerne ao enfrentamento da atividade criminosa no contexto nacional e mundial, o emprego de inovações tecnológicas tem se mostrado bastante efetivo. À luz dessa perspectiva, o especialista em segurança e desenvolvimento e coordenador de pesquisa da Fundação de Tecnologia SecDev, Robert Muggah, afirma ser, a aplicação de tecnologias, um fator fundamental para a existência de uma segurança pública mais efetiva, haja vista a existência de programas de computadores que permitem às instituições policias um maior monitoramento e prevenção de ações criminosas, além de viabilizar resultados de reconhecimento facial e geolocalização mais assertivos, facilitando, então, a captura do infrator. A exemplo, cita-se o emprego de um software que integra a base de dados criminais nacionais, para a elucidação de um crime ocorrido a 11 anos, conforme divulgado pelo portal de notícias G1.
De outra parte, é válido destacar a incumbência estatal em tornar a utilização de tecnologias como mecanismo de redução da criminalidade, uma realidade em todo o território nacional. A esse respeito, o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado - através do Contrato Social - garantir, para toda a sua população, plenas condições de vida e segurança. No entanto, ocorre que, ao analisar a conjuntura brasileira hodierna, nota-se a existência desse contrato na teoria e não, desejavelmente, na prática, haja vista a recente declaração fornecida pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, em que são denunciados os baixos investimentos destinados à aquisição e desenvolvimento de técnicas modernas que visem reduzir a criminalidade. Depreende-se, então, que enquanto o Estado se mantiver inerte frente a situação, o tecido social nacional continuará a conviver com um dos maiores entraves do século XXI: os elevados índices de crimes.
É evidente, portanto, a necessidade na mitigação do revés. Destarte, cabe ao Estado, alocar uma quantidade maior de investimentos destinados para a modernização da segurança pública. Por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, tais recursos serão utilizados para a aquisição de novas tecnologias, bem como a promoção de treinamentos entre policiais acerca da sua utilização.