A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 14/06/2020

“Não rir, nem chorar, mas compreender e agir”.A frase de Espinoza, filósofo racionalista do século XVII, ilustra que o modo racional de ajudar a sociedade é procurar entender seus pretextos multifatoriais e legacionais.Nesse contexto, tangente ao pensamento supracitado, é necessário entender os dilemas negacionistas atrelados ao uso da tecnologia no combate a criminalidade, dentre os quais, destacam-se a omissão governamental diante da informação insuficiente e a maior probabilidade de doenças mentais.

Indubitavelmente, a negligência do Estado é um entrave para o apto aparelhamento tecnológico contra o crime.Desse modo, segundo os dados da Fundação Fogo Cruzado, somente seis em cada dez policiais militares são capacitados para lidar com falhas técnicas de computação das unidades de polícia pacificadora nas favelas do Rio.Destarte, a educação deficitária compromete todo o sistema operacional digital usado para mapear os pontos de tráfico criminoso, além da falta de recursos públicos para os reparos e as revisões em softwares ativos.Isso caracteriza uma violação do contrato social do contratualista John Locke, uma vez que o Estado não garante o direito aos mecanismos de segurança especializada, o que exemplifica um desrespeito descomunal aos cidadãos de zonas periféricas.

Sob outro ângulo, alguns distúrbios psicóticos podem ser desencadeados caso o monitoramento de civis, justificado pela criminalidade, seja excessivo a ponto de adentrar espaços privados.Dessa maneira, mediante a situação, os indivíduos podem desenvolver a mania de perseguição patológica, tendo em vista a paranóia, a sensação de vigilância constante, a instabilidade emocional e a ilusão de privacidade.Isso pode ser explicado no humanismo formativo de Erich Fromm, o qual ressalta que o homem tem necessidades básicas psíquicas, isso posto, existem critérios que podem ser oprimidos por um dado social, o que pode levar o ser humano a abdicar de suas faculdades racionais e, infelizmente, tornar-se apático, isolado e até mesmo esquizofrênico.

Portanto, os ativistas de Organizações não Governamentais, como o “Farol Acesso”, devem alertar a população acerca do despreparo da majoritária parte dos agentes de segurança no tocante aos possíveis problemas dos softwares em fechaduras digitais, sobretudo, frisar depoimentos reais de psicanalistas na análise das formas gradativas que a tecnologia afeta indiretamente a saúde mental humana.Por conseguinte, tal ação pode ser realizada, por meio de divulgação de textos proativos em páginas virtuais, como “Quebrando o Tabu”, site brasileiro com a marca de mais de 1,5 milhões de engajamentos, no intuito de instigar discussões, entre os cidadãos, sobre o impasse vigente em reuniões de condomínio e comissões municipais e criar um legado, o qual Espinoza pudesse orgulhar-se.