A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 15/06/2020

Na mitologia grega, Prometeu foi acorrentado a rochedos de sofrimento sob a pena de ter seu fígado devorado diariamente por um abutre. Embora seja um contexto ficcional, o mito assemelha-se à temática hodierna da necessidade de aliar novos combatentes na luta contra a criminalidade. À luz disso, os avanços tecnológicos são uma alternativa interessante. Sob esse âmbito, dois aspectos são relevantes: o sentimento excessivo de proteção que invade a sociedade – a ponto de fazê-la relaxar em cuidados necessários do ponto de vista da segurança – e a ameaça de a mesma tecnologia que combate o crime tornar o panorama mais prejudicial - quando usada pelos criminosos.

A priori, cabe mencionar que, entre as novidades no combate aos furtos, violência e corrupção, estão as câmeras de segurança, bem como robôs e drones usados pela polícia no monitoramento das ruas. Segundo dados da prefeitura de Praia Grande-SP, o roubo de veículos diminuiu 21% após dois meses do início do uso da tecnologia. Porém, apesar de positivas, as estatísticas podem refletir em uma falta de vigilância das pessoas, como se estivessem em uma bolha paradisíaca. Nesse sentido, é importante ressaltar que as mazelas das desigualdades sociais ficam ainda mais expostas com esse sistema. Isso pois, apesar desse uso da tecnologia ser benéfico, ele pode ficar restrito às áreas mais ricas, favorecendo a transferência da criminalidade inteiramente para as comunidades mais carentes.

Outrossim, vale destacar o pensamento do escritor brasileiro Augusto Cury, ao dizer que frágeis usam a violência, e os fortes, as ideias. Sob essa perspectiva, na maioria das vezes, o indivíduo se perde no mundo do crime por conta da fragilidade social. Desse modo, a fome, o preconceito, ou mesmo a precarização da assistência que o governo deveria fornecer à toda a população, são fatores agravantes. Nessa conjuntura, grandes corporações ilegais se apegam aos meios inovadores para tornar mais intensivos os seus atos. Destarte, organizações internas em presídios tornam-se comuns, com o fito de dar acesso à internet aos chefes do crime e permitir a manutenção de planos e crimes. Nesse espectro, novas formas de ataque, como os golpes via internet se tornam mais frequentes.

Logo, é mister que o Ministério da Justiça e Segurança Pública promova campanhas na mídia televisiva e palestras em centros de cultura e escolas em prol de conscientizar as pessoas sobre cuidados básicos - que agem preventivamente ao crime. Do mesmo modo, é importante que haja uma maior rigidez na fiscalização da entrada de meios tecnológicos em presídios. Dessa maneira, possibilitar-se-á uma diminuição não apenas do número de pessoas que não atentam à insegurança como também da quantidade de vezes em que há sucesso para os criminosos. Enfim, somente assim poder-se-á permitir que o fragilizado fígado populacional se recupere do abutre da criminalidade. evorado continuamente