A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 13/06/2020

A distopia “1984” de George Orwell propõe uma sociedade cercada por uma vigilância irrestrita e contínua, a qual visa maximizar o controle em diversas esferas sociais, como na segurança. Paralelamente, a presente sociedade de controle, fortalecida pelas tecnologias, extende seus efeitos disciplinares a fim de combater a criminalidade com seu olhar onipresente estabelecido por instrumentos de vigilância, como câmeras, drones e redes de informação.

Em primeira análise, Foucault, em seu livro “Vigiar e Punir”, estabelece uma analogia entre o Panóptico - estrutura arquitetônica carcerária - e a vigente sociedade de controle, em que os sujeitos submetidos a constante vigilância, assumem o papel de autodisciplinadores. Nesse viés, o poder se torna extraterritorial com a implementação de câmeras, drones e outras tecnologias, que, para Foucault, substituem a violência criminal ao impor virtualmente, um poder líquido, dinâmico e invisível.

Haja vista o nomadismo que se extende às redes de informação, o combate à criminalidade pode se tornar mais eficaz à medida que atinge esferas públicas. Como todos podem vigiar e serem vigiados, casos como o assassinato de George Floyd - motivado por racismo policial - por ter sido gravado, se tornou um símbolo e pôde gerar movimentos de protesto contra tais crimes a fim de mostrar a importância de vidas pretas.

Ademais, é evidente que a distopia de Orwell já tangencia a realidade, sendo de suma importância a desvinculação das instâncias de vigilância com determinados grupos de interesses. Assim, atribuindo ao Ministério da Educação medidas para promover reflexões éticas a cerca da sociedade de controle por meio da reimplementação de filosofia e sociologia como matérias obrigatórias do ensino básico ao superior, a fim de complementar ações de políticas públicas, cabíveis ao Governo Federal, para sanar crimes vinculados à desigualdade social, o uso das tecnologias no combate à criminalidade poderá ser mais consciente e menos necessário, aumentando a distância entre a realidade e a distopia “1984”.