A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 13/06/2020
O livro " A quarta revolução industrial", do economista alemão Klaus Schwab, conta sobre como a humanidade está num processo de transição para um novo sistema de produção marcada pela convergência de diversos tipos de tecnologias. Consoante a isso, o Estado deve, de maneira a aprimorar a segurança pública, beneficiar-se também dessa revolução, a qual, ao ser usada com sabedoria, pode dar suporte ao combate à criminalidade. Nesse sentido, faz-se mister compreender o papel que a tecnologia pode ter no processo de proteção da sociedade.
Em primeiro lugar, o acesso à segurança segrega as pessoas a medida que essa apresenta-se restringida as classes mais abastadas, afinal, aparelhos como câmeras de segurança e alarmes necessitam de altos investimentos, separando a sociedade entre aqueles capazes de arcar com sua proteção e aqueles à mercê. Contudo, essa divisão não deveria existir, pois, é definido no art. 144 da Constituição da República Federativa no Brasil 1988, como dever do Estado assegurar a segurança pública de todos os cidadãos, ficando claro que a essa deveria ser um bem público e não um produto a ser adquirido. Dessa forma, a tecnologia a serviço da segurança pública ajudaria a concretizar melhor para todos os direitos previstos na constituição.
Conquanto, é importante também pensar em usos desses recursos de maneira consciente, a fim de não prejudicar outros direitos. Afinal, assim como no livro Frankenstein, da escritora britânica Mary Shelley, em que o monstro criado por Victor volta e como vingança mata sua esposa e o persegue até o fim de sua vida, a tecnologia pode terminar por restringir outros direitos, como o da liberdade e da privacidade da população. Nesse sentido, é indubitável entender a necessidade de que os recursos tecnológicos devem ser usados com o fim de proteger a população, cuidando para que não se torne outro monstro.
Em virtude dos fatos mencionados, fica claro que o uso da tecnologia pelo poder público como meio de garantir segurança reduzirá o distanciamento social entre as classes, e com o devido cuidado, ajudará o Estado a cumprir com totalidade os seus deveres. Portanto, as Secretárias municipais de segurança devem investir em inteligência artificiais com softwares que serão capazes de reconhecer melhor atitudes suspeitas na internet, e assim prevenindo possíveis crimes, e na compra de drones para auxiliar policiais em perseguições, para então mitigar possíveis prejuízos causados. E, por fim, os recursos gerados da quarta revolução industrial não servirá apenas para a produção, mas também para a proteção de seus cidadãos.