A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 16/06/2020

A partir da Revolução Técnico-Científica-Informacional, que entrou em vigor na segunda metade do século XX, a tecnologia tem sido desenvolvida em larga escala para suprir as necessidades da humanidade. Dessa maneira, é inegável que a tecnologia configura uma importante ferramenta para o combate à criminalidade devido a sua otimização de tempo e recursos, porém, sua acessibilidade é limitada pela condição capital.

De acordo com o empresário Steve Jobs: “A tecnologia move o mundo”. Nesse sentido, os avanços tecnológicos revolucionaram o cenário da vigilância e do combate à criminalidade. A utilização de câmeras e de aplicativos potencializaram as ações e os recursos de empresas privadas de segurança e da segurança pública no Brasil, pois, a possibilidade de monitoramento em tempo real e armazenamento de imagens e áudio, facilitaram o registro e a investigação de delitos. A exemplo, pode-se citar a Polícia Militar de Santa Catarina, que desenvolveu um aplicativo, PM Mobile, para registrar ocorrências, reduzindo pela metade o tempo de atendimento.

Em contrapartida, os serviços e produtos produzidos pela indústria de segurança não são acessíveis para a maior parte da população por possuírem alto valor agregado, em virtude da tecnologia empregada e da carência de manutenção e renovação periódicas. Como consequência, populações em situação de vulnerabilidade ficam mais expostas a violência, já que, de acordo com o atlas da violência, 75,5% das vítimas de homicídio no Brasil em 2017 eram negras e, houve um aumento de 127% no número de denúncias de homicídios contra LGBTI+ entre os anos de 2016 e 2017.

Pelo exposto, infere-se que a tecnologia é essencial para o combate à criminalidade. Contudo, é imprescindível que haja uma expansão e democratização dessa ferramenta. Nesse viés, o Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em conjunto com os Estados e Municípios, deve ampliar o monitoramento por câmera e criar grupos de WhatsApp com policiais e os representantes de áreas de maior incidência de infrações, bem como criar aplicativos para registros de ocorrências e denúncia, principalmente para as populações mais suscetíveis à violência, como as mulheres e a comunidade LGBTI+. Com essas medidas, espera-se obter uma maior integração entre civis e militares para atenuar a criminalidade e ofertar segurança àqueles que não possuem condições financeiras e são vulneráveis.