A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 19/06/2020
Sociedade Vigilante, para o filósofo Foucault, é aquela que utiliza artifícios legais e tecnológicos, em constante estado de alerta, para vigiar e punir. Nesse contexto, a tecnologia é imprescindível no combate à criminalidade, pois é um recurso auxiliador da atividade humana. Já no caso brasileiro, tanto a ínfima aplicação da tecnologia pelos órgãos brasileiros de proteção ao cidadão quanto a desvalorização da educação corroboram a perpetuação da criminalidade. Desse modo, vale ressaltar a inversão da lógica de políticas públicas, a qual prefere punir crimes a preveni-los.
O medo e a insegurança são características da Anomia Social - termo designador de comunidades cuja atuação do Estado é falha e, consequentemente, viabiliza a ascensão do crime como poder paralelo. Nesse cenário, o sentimento de proteção do cidadão poderia ser propagado mediante um policiamento expressivo, sistemas tecnológicos de monitoramento, bem como a aparelhagem das forças legais de segurança pública com articulação das esferas municipais, estaduais e federais. Por tal perspectiva, comprova-se o caos social pelo Atlas da Violência, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o qual evidencia 60.000 casos de homicídios em 2015. Dessa forma, o devido direcionamento de verbas à infraestrutura de corpos de policiamento poderá alterar esse quadro.
Além disso, embora, o gasto governamental com um detento seja dez vezes maior do que com um aluno da rede pública de ensino, segundo dados do portal de notícias G1, é mais cômodo à Máquina Pública coibir a violência de imediato, pela repressão carcerária, que construir uma duradoura moralidade cívica, ainda sob o pensamento foucaultiano. Nesse ínterim, observa-se que tanto o sistema penitenciário quanto a segurança pública encontram- se em colapso, o qual poderá ser solucionado, a curto prazo, pelo emprego efetivo de tecnologias no combate ao crime e, a longo prazo, pelo fortalecimento do sistema educacional, responsável pela construção ética e moral do indivíduo.
Portanto, o Ministério de Justiça, como responsável maior pela seguridade da população, deverá criar parcerias com instituições privadas especializadas em tecnologia de segurança pública, de modo a equipar as Polícias com aparelhos de investigação, monitoramento e softwares avançados, por meio da garanta de investimentos à área, com o objetivo de superar o estado de Anomia do país. Além disso, as Secretarias Municipais de Educação deverão promover a estruturação do ensino pautado no debate interdisciplinar de Sociologia e Filosofia acerca de princípios morais e legais, mediante a elaboração de oficinas psicossociais com professores capacitados nas escolas, por meio da destinação de recursos ao setor. Assim, a co-atuação de tecnologia e educação no corpo social surtirá efeitos na diminuição da criminalidade e, consequentemente, menores índices no Atlas da Violência.