A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 31/08/2020
Para o filósofo inglês Thomas Hobbes, “o povo renuncia tudo em troca do grande dom da segurança”. Essa visão converge substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que a sociedade tende a incorporar métodos cada vez mais tecnológicos a fim de priorizar a seguridade individual e familiar. Em contrapartida, observa-se que a falta de investimentos no âmbito da tecnologia e a incompetência no manejo de dispositivos eletroeletrônicos, sobretudo no Brasil, surgem como obstáculos que retardam o processo de modernização no quesito segurança.
Deve-se compreender, inicialmente, que o problema advém da falta de empenho em destinar recursos tecnológicos nas entidades responsáveis pela proteção da comunidade. Isso ocorre, em grande parte, devido à indiferença dos poderes governamentais perante aos avanços científicos nas resoluções dos crimes. Inquestionavelmente, é de suma importância que incorporem mecanismos tais como o “Amber Alert”, muito eficaz nos Estados Unidos, pois o sistema tem o objetivo de mobilizar - por meio de avisos em televisores e rádio- a população acerca de crianças que foram dadas como desaparecidas ou sequestradas. Por esses motivos, a aplicação de um sistema que seja semelhante se faz bastante necessária, já que no Brasil não há nenhum outro que seja eficiente para o combate à criminalidade.
Ademais, convém ressaltar que as novas tecnologias demandam aptidão e treinamento por parte da equipe e da sociedade, que , em sua maioria, são leigas no assunto. Paralelo a isso, nota-se que as instituições educacionais ainda não são eficazes na educação tecnológica, por não contarem com estrutura profissional e material voltada ao tema. Partindo desse pressuposto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirma que 20 milhões de pessoas ainda dominam a utilização de aparelhos digitais ou desconhecem o princípio de funcionamento. Dado o exposto, nota-se as dificuldades enfrentadas pelo Brasil, tanto no manuseio de equipamentos de alta tecnologia, quanto na inserção da mesmo nas práticas de salvaguarda.
Logo, medidas devem ser efetivadas a fim de mitigar as problemáticas vinculadas à falta de investimentos na segurança e no déficit em letramento digital. Desse modo, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) atualizar e investir em equipamentos modernos como câmeras de alta resolução e sensores inteligentes, bem como a capacitação dos oficiais, por intermédio de palestras e fornecimento de cursos gratuitos, auxiliados por técnicos em informática, com intuito de prosperar as resoluções de crimes, ou até mesmo prevenir que o ato criminoso não tenha êxito. Com tais implantações, garantir-se-á a segurança almejada pela população tal como Hobbes declara.