A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 31/08/2020
A série de ficção científica ‘’Black Mirror’’ apresenta contos com temáticas futurísticas e ressalta neles os aspectos negativos do uso da tecnologia. Fora das telas, a partir da Revolução Técnico-Científico-Informacional o uso do meio tecnológico tem se expandido a diversos segmentos do convívio social, inclusive tratando-se de segurança pública. Nesse sentido, o uso da tecnologia para o combate ao crime pode ser interpretado como ferramenta necessária e facilitadora ou como instrumento instável e passível de erros.
Em primeiro plano, a utilização de equipamentos com tecnologia avançada pode permitir consideráveis avanços na garantia de segurança e combate a violência no país. Dessa forma, o uso de mecanismos como o Banco Nacional de Perfis Genéticos apresenta auxílio significativo tanto na identificação de criminosos, quanto para comprovar a inocência de suspeitos. Sendo que a ferramenta, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, ajudou a solucionar pelo menos 599 casos no Brasil. Porém, em comparação a outras nações a quantidade de perfis no Banco ainda é baixa e necessita de maiores investimentos.
Apesar dos resultados benéficos do dispositivo mencionado anteriormente, a aplicação da tecnologia na vigilância e contenção da criminalidade é incerta e levanta questões sobre a segurança dos métodos. Sabendo que, no meio tecnológico há possibilidade de falha dos equipamentos, além de não serem necessariamente neutros. Implicando assim, na possibilidade de um uso político de câmeras de vigilância, por exemplo, aproximando da realidade as críticas estabelecidas em ‘’Black Mirror’’ e em outras obras distópicas, como ‘’1984’’ de George Orwell, em que o uso da tecnologia para a manipulação e controle social é uma temática recorrente.
Por fim, nota-se que existem posicionamentos antagônicos no debate sobre a tecnologia e criminalidade. Contudo, seu uso evitando os excessos é benéfico e necessário. Visto isso, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública ampliar os investimentos em dispositivos como o Banco Nacional de Perfis Genéticos, que visem proporcionar facilidade aos agentes de vigilância e segurança. Entretanto, que as ações sejam realizadas com cautela, priorizando garantir a individualidade e integridade dos cidadãos.