A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 30/09/2020

De acordo com Michel Foucault, em sua Obra “Vigiar e Punir”, publicada em 1975, é mais viável inspecionar as pessoas do que puni-las. Sob tal ótica, é possível associar tal pensamento ao contexto tecnológico atual, em que há um constante aumento do investimento em cameras e em outros equipamentos que promovem a sensação de segurança. Assim, apesar da inserção de tais dispositivos na Segurança Pública terem ligação à direitos previstos pela Constituição, a falta dos recursos necessários inviabiliza essa utilização em todos os setores da sociedade.

A priori, a Constituição de 1988 prevê o direito da sociedade à segurança e ao bem-estar social. Dessa forma, diversos mecanismos têm sido utilizados para estabelecer, realmente, esse direito. As transformações urbanas, sociais e econômicas acarretam, também, mudanças no setor tecnológico, buscando-se a utilização de ferramentas inovadoras. Destarte, é possível citar a utilização do Sistema de Detecção de Armas de Fogo (SDD), que foi implantado no Rio de Janeiro, capaz de detectar e identificar o local em que tiros foram disparados, facilitando a ação policial. Isso demonstra, portanto, como a utilização da tecnologia representa uma incrementação ao combate à criminalidade e, assim, garante, por novas maneiras, a segurança e o bem-estar previstos pela Carta Magna.

Além disso, outro aspecto a ser abordado é a falta dos recursos necessários para que ocorra o devido investimento nesses equipamentos para a Segurança Pública. O setor público enfrenta diversos obstáculos ao tentar obter novas ferramentas tecnológicas, porque, além dos custos dos dispositivos, o processo para adquirir tais equipamentos é extremamente longo e, ás vezes, com a velocidade que eles ocorrem, uma ferramenta nova, ao final do processo, já apresenta tecnologia ultrapassada. Ademais, conforme a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, a falta de recursos públicos é um fator que pode aumenta ainda mais os índices de criminalidade. Assim, é possível observar uma conexão entre os investimentos na área da segurança e o aumento ou a diminuição dos índices de violência, evidenciando, ainda, a importância de tal ocorrência.

Portanto, a falta de investimento na Segurança Pública representa uma ameaça concreta, não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos, como a todos os cidadãos que, indiretamente, também figuram como vítimas de seu legado. Nesse sentido, o Ministério da Segurança e Justiça deve promover a implantação dos equipamentos tecnológicos, amplamente, à Segurança Pública, por meio de investimentos, aumentando os recursos financeiros dessa área e, ainda, pela facilitação da obtenção dos dispositivos durante a compra. Espera-se, com isso, que a tecnologia auxilie ainda mais o combate a criminalidade e, além disso, garanta um direito aos cidadãos já previsto pela Constituição.