A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 04/10/2020
Filmes como “Kingsman” ilustram a utilização de tecnologias no combate à criminalidade. Entretanto, mesmo fora da ficção, essas inovações têm integrado, cada vez mais, a luta contra a violência. Assim, torna-se indispensável ressaltar as disparidades socioespaciais vigentes em sua implementação e considerar formas mais inteligentes de empregá-la.
Desse modo, nota-se que a utilização de aparelhos -como câmeras de vigilância- prevalece em locais privilegiados. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 44% dos homicídios ocorridos no Rio de Janeiro foram cometidos nas favelas. Esse fato ilustra como a desigualdade influencia na adoção de medidas de proteção da população, já que locais marginalizados acabam tornando-se focos de violência. Assim, comunidades carentes passam a conviver com agressões e com o medo das constantes “oportunidades” ilegais para os jovens.
Ademais, vale ressaltar que a utilização de tecnologias normalmente está voltada às consequências e não para medidas de prevenção. Segundo Foucault, a prisão aumenta a criminalidade, pois é um local criminógeno, ou seja, as medidas de combate a violência precisam estar focadas não apenas nas prisões -que se comportam como escolas do crime- mas, principalmente, na profilaxia dessa patologia social. Assim, precisa-se investir também na utilização de inovações para possibilitar oportunidades, integração e, assim, garantir segurança para a população.
Portanto, urge que os Ministérios da Educação e da Comunicação atuem no combate à marginalização, que fomenta à violência. Dessarte, faz-se necessário que se desenvolvam projetos em escolas, nos quais psicólogos e especialistas se engajem na criação de atividades inclusivas que ensinem os jovens a utilizar tecnologias na busca por oportunidades. Ademais, é mister que informem a população -por meio de rádios ou televisão- sobre os altos índices de violência em locais carentes para que pressionem o governo na luta contra a marginalização. Assim, por meio de cidadãos engajados, a realidade do filme “kingsman” se tornará distópica.