A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 03/10/2020

Segundo John Locke, um grande filósofo contratualista, é dever do Estado garantir o direito à vida, à liberdade e à propriedade privada de cada indivíduo da sociedade. Para tanto, o governo brasileiro passou a aderir diversas técnicas relacionadas a segurança pública, sendo a adesão tecnológica uma das últimas. Contudo, a nova prática aderida não apresentou uma implementação homogênea em relação a proporção territorial do país e além disso, acabou por gerar, em meio a população, uma falsa sensação de proteção, o que configura uma problemática de cunho social.

Em primeiro lugar, deve-se compreender as disparidades econômicas existentes entre as várias regiões do Brasil e que tal fator atua como um limitante quanto a aquisição de ferramentas tecnológicas, o que, consequentemente, impacta nos índices de criminalidade. Corrobora-se, este ponto de vista, por meio do Boletim Segurança Pública, um estudo realizado por professores de municípios paulistanos, que aponta a presença de maiores taxas de crimes em áreas menos desenvolvidas. Em vista disso, denota-se que baixa integração dos mecanismos inovadores nas zonas mais deficientes no setor financeiro, acarreta em uma maior exposição ao perigo e que a sua implementação desregulada ocasionou em uma desigualdade em relação a proteção de cada cidadão.

Ademais, percebe-se que a disponibilidade para uso pessoal de câmeras, sistemas de controle de acesso e alarmes criou na mente de muitos o sentimento de segurança perpétua, já que, os equipamentos em questão são encarados como materiais desprovidos de falhas. No entanto, não é o que acontece na prática, pois os dispositivos citados anteriormente estão sujeitos tanto a defeitos de fábrica quanto a problemas gerados por pessoas, que não possuem a devida capacitação para executar uma tarefa com os mesmos. Dessa maneira, é notável que não há uma substituição para as atitudes preventivas, como contactar a polícia em casos de emergência ou comparecer a delegacias.

Em vista dos argumentos apresentados, vê-se a necessidade de que o Governo Federal, em conjunto aos governadores de cada estado brasileiro, reelabore o planejamento administrativo com o intuito de remanejar a verba essencial para o desenvolvimento tecnológico das localidades mais carentes nesse quesito. Paralelamente a isso cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações realizar palestras e feiras profissionalizantes em locais públicos em uma tentativa de instruir a população quanto ao uso correto dos instrumentos já mencionados e capacitar novos funcionários para evitar falhas. Por fim, é incumbido ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, a promoção de treinamentos de militares com o objetivo de que estes se familiarizarem com os equipamentos a disposição, dessa maneira será possível reduzir os índices de criminalidade e a segurança populacional.