A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 03/10/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a precária tecnologia no combate ao crime apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência governamental, quanto da desigualdade social. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é fulcral pontuar que a falta de aparelhos tecnológicos eficientes contra a criminalidade deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, muitos crimes deixam de ser investigados por falta de evidências, porém, essas ações poderiam ser facilmente capturadas com a presença de câmeras de monitoramento e drones nas ruas, por exemplo. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a desigualdade como promotor do problema. De acordo com dados da ONG Movimento Nossa São Paulo, os bairros mais ricos de São Paulo, se comparados aos mais pobres, têm até quatro vezes mais investimento. Partindo desse pressuposto, fica claro como as regiões mais abastadas possuem maiores recursos e acesso à tecnologias que contribuam com sua segurança, enquanto outras áreas não gozam de tais benefícios. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que essa discrepância entre as classes contribui para a perpetuação desse quadro.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a ausência de tecnologia no combate ao crime, é de suma importância que o Governo Federal direcione capital que, por intermédio das prefeituras de cada região, será revertido na compra e aplicação de ferramentas tecnológicas pelas cidades. Dessa maneira, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do entrave, e a coletividade alcançará a Utopia de More.