A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 04/10/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto o descaso com a tecnologia no combate a criminalidade deixa o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nesse sentido, seja pela ineficiência governamental, seja pela desigualdade social, o problema adquire grandes proporções e merece uma reflexão urgente.

Em primeiro plano, é importante destacar o papel do Estado no cerne da problemática, uma vez que esse não implanta a tecnologia a favor da segurança dos cidadãos, e quando o faz não há fiscalização ou manutenção. Sob esse prisma, o sociólogo Michael Foucault, em sua obra vigiar e punir salienta a eficácia da vigilância perante a punição. Nesse contexto, torna-se claro que câmeras, drones e ferramentas de reconhecimento facial, por exemplo, se bem administradas e cuidadas, seriam extremamente uteis no combate ao crime. Desse modo, cabe ao governo implantar tais medidas a fim de proteger a população como a Constituição cidadã manda.

Outrossim, deve-se salientar que a enorme disparidade socioeconômica instaurada no país contribui de forma significativa para aumento do entrave, haja vista que a pobreza aumenta os índices de criminalidade, pois na maioria das vezes os indivíduos não possuem perspectivas além do crime. Sob essa ótica, a parcela mais vulnerável da sociedade também não detém de recursos necessários para implantar tecnologias a seu favor, ficando, assim, a mercê do Estado que é negligente. Dessa forma, fica claro que, no Brasil, o uso de tecnologias com a finalidade de combater a criminalidade só é possível para quem pode pagar por isso.

Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas para modificar o cenário vigente. Desse modo, é obrigação do Ministério da Segurança pública, implantar equipamentos de qualidade, como câmeras que possuam reconhecimento facial, e fornecer meios para que tais equipamentos sejam sempre fiscalizados e que haja manutenção necessária. Além disso, é importante instalar videomonitoramento em áreas com altos índices de criminalidade, bem como implantar bases da policia civil em tais localidades, a fim de proteger a população sem recursos e zelar pelo bem estar social, pois só assim a máxima de Foucault será seguida e a problemática resolvida.