A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 08/01/2021

Na peça “Esperando Godot”, escrita pelo dramaturgo irlandês e vencedor do prêmio Nobel Samuel Beckett, duas pessoas têm conversas vazias enquanto esperam juntos por alguém que nunca chega. Metáfora trágica da vida, o Godot da obra de Beckett poderia facilmente representar a sensação de segurança plena em meio a população brasileira, uma vez que ambos não são vistos na sociedade, e, a criminalidade crescente no país exige, cada vez mais, medidas de proteção. Essa situação se origina em medidas ineficazes do Estado em combater esse crescimento. Assim, entre os fatores que corroboram com essa problemática estão a desigualdade social, juntamente de uma cultura normativista dos problemas sociais.

Desse modo, torna-se importante destacar que a desigualdade social, somada a negligência Estatal, promove a necessidade de meios tecnológicos para combater a criminalidade. Isto acontece porque, devido a inacessibilidade de direitos por parte da população, a inserção destas pessoas na sociedade é negada, excluindo esses do corpo social comum e direcionando ao caminho da criminalidade como meio de sobrevivência. Essa situação entra em consonância com as Análises do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, que categorizam o Brasil como o sétimo país mais desigual do mundo, uma vez que diante de tal desigualdade, o número de pessoas que recorrem ao crime para se manterem se torna significativo, requisitando assim novos meios para combate-lo.

Além disto, é imperativo reconhecer que a cultura que normaliza essa realidade, em união a inação do Estado, gera a procura pela tecnologia para combater a criminalidade. Tal conjuntura origina-se em um processo cultural no imaginário coletivo de aceitar a ocorrência de crimes como parte tradicional da sociedade, e não como uma consequência de ações, e assim, a ocorrência de crimes é perpetuada pelo conformismo social diante da realidade atual. Essa perspectiva é similar ao que disse o historiador Leandro Karnal, para quem " Uma das características da cultura é tornar normal o que não é", já que a cultura brasileira contemporânea aceita a criminalidade e a normaliza em seu meio social.

Compreende-se, desse modo, que as ações ineficazes do Estado são a razão de se recorrer ao uso de tecnologias para combater a criminalidade. Assim, o Governo Federal deve, por meio de um projeto de lei a ser votado no Congresso, criar um Programa Nacional de Combate à Criminalidade e Desigualdade Social, e ,a partir dele, propor um auxilio mensal para as populações mais pobres, garantindo sua inserção na sociedade, além de criar, ainda pelo Plano, oficinas culturais em escolas públicas que explicarão as diferentes realidades sociais do país, o porque delas afetarem o crescimento da criminalidade e das medidas tecnológicas adotadas, e como a população pode atuar.