A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 16/08/2021

A revolução técnico-científico-informacional, preconizada pelo geógrafo Milton Santos, potencializou a construção de uma rede de informação globalizada, amparada em novas tecnologias, responsável por estruturar o âmbito sociocultural e político-econômico do mundo contemporâneo. Desse modo, a criminalidade – reflexo da desigualdade socioeconômica – vem sendo combatida com o auxílio de tecnologia, ao se utilizar de cidades monitoradas, banco de dados geoestatístico de violência, entre outras formas, o que concede celeridade ao processo de prevenção e de análise criminal. Portanto, a garantia efetiva do combate à criminalidade apresenta como principais dilemas: a escassez de investimento governamental e a desarticulação do setor de segurança pública nacional.

Segundo o filósofo Aristóteles, o bem comum da sociedade deve ser a finalidade do Estado. No entanto, à medida que não há suficiente investimento governamental em recursos tecnológicos, voltados à criminalística, o combate à criminalidade, respaldado na jurisdição brasileira, torna-se moroso e ineficaz, comprometendo a garantia das liberdades individuais, e, consequentemente, do bem-estar social, visto que há a desestruturação do monitoramento eletrônico. Além disso, o monitoramento inadequado e desestruturado é responsável por gerar a falsa sensação de segurança, tanto individual quanto patrimonial, ao não otimizar o auxílio do trabalho humano, relevante, sobretudo, em atitudes preventivas, devido à sua interpretação.

Por outro lado, é irrisório apenas algumas cidades aderirem às tecnologias criminalísticas, porque fomentaria, apenas, a migração dos crimes para áreas circunvizinhas e não o seu efetivo combate, o que intensifica a necessidade de mais força policial para tais regiões. Sendo assim, a desarticulação no setor de segurança pública nacional é responsável por obstruir a plena aplicabilidade de medidas resolutas, visto que não há o esforço integrado entre os municípios, e por gerar arquipélagos de violência. Ademais, a sociedade civil, também, pode contribuir, por meio de aplicativos vinculados à segurança municipal, ao fornecer informações de delitos ocorrentes em sua localidade, viabilizando uma unidade comunitária.

Logo, a fim de garantir o efetivo combate à criminalidade e bem-estar social, faz-se necessário que o Governo Federal, em parceria com as Secretarias Municipais de Segurança e Prevenção, invista, de modo amplo, em recursos tecnológicos, voltados à análise de delitos; e consolide a sua aplicabilidade adequada, por meio da concessão de crédito às cidades e de planos diretores, que construam municípios integrados com tecnologia de segurança. No entanto, tais medidas só se efetivarão, com a redução das disparidades socioeconômicas, pois a criminalidade é um produto social desse fator.