A tecnologia no combate à criminalidade
Enviada em 21/10/2021
No livro Os Miseráveis de Victor Hugo, o protagonista Jean Valjean é preso por 19 anos por tentar roubar pão para alimentar os sobrinhos que já não comiam nada há dias. Fora da literatura, infelizmente, tal injustiça se mostra recorrente, ainda que hoje haja diversos aparatos tecnológicos que auxiliem a polícia no combate à criminalidade. Uma vez que, a tecnologia é apenas um método auxiliar que não resolve o cerne dessa questão, além de que, no Brasil, o investimento nessa área é baixo e abre possibilidades para diversos erros que podem ser muito nocivos à população mais vulnerável.
Primeiramente, é importante destacar que a criminalidade é um problema estrutural profundo, e a tecnologia apenas auxilia na acusação e na punição. Por isso, para a resolução do problema criminal, é necessário investir na prevenção e garantir à população seus direitos básicos como educação, saúde e alimentação para que não recorram a atos ilícitos para sua sobrevivência. Dito isso, dados do Infopen mostram que o Brasil caminha na contramão desse ideal, pois sua população carcerária está 54% acima da capacidade, com índice de escolaridade abaixo de 10% para ensino médio completo. Em oposição, a Noruega tem fechado seus presídios devido queda de crimes, e, apesar de sua tecnologia muito avançada, ela mostra que o que combate a criminalidade é o mesmo que a mantém em primeiro lugar no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano): o bem-estar social.
Por outro lado, investimento tecnológico, especialmente de inteligência artificial (IA), segue sendo desejado por instituições policiais para o combate à criminalidade. Entretanto, os recentes resultados sobre seu o uso indicam que sistemas de IA tendem ser racistas, e, segundo Equipe de Inteligência Artificial Ética do Google, isso se deve aos bancos de dados serem baseados, em sua maioria, em homens brancos. No Brasil, esse problema pode ser ainda mais nocivo, pois, como foi noticiado pelo portal do G1, em 2021, 78% das vítimas mortas pela polícia são pessoas negras. Dessa forma, o uso da tecnologia no combate à criminalidade pode ser nocivo e intensificar problemas já presentes no corpo policial brasileiro, por ser prematuro e por carecer de investimentos no país.
Em suma, o uso da tecnologia é um fator auxiliar no combate à criminalidade, mas devida precocidade pode ser nocivo e favorecer o racismo no país. Portanto, se faz necessário que o Governo Federal fomente pesquisas no ramo de tecnologia de segurança, por meio de investimentos em universidades de tecnologia e de ciências humanas concomitantemente, a fim de que se produza aparelhos que respeitem a diversidade étnica do povo brasileiro e que auxilie efetivamente a polícia no combate à criminalidade no país. Assim, a criminalidade será melhor combatida e o direito por respeito a todas as etnias será preservado.