A tecnologia no combate à criminalidade

Enviada em 27/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, o direito à segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, na prática, essa prerrogativa não é efetivada, haja vista que, segundo o jornal BBC, o Brasil cede apenas 1,1% da verba da segurança para a obtenção de tecnologias no combate ao crime. Esse quadro nocivo ocorre não só devido à passividade da população, mas tembém em razão da omissão estatal em cumprir sua função.

Nesse sentido, é válido destacar o alheamento do corpo civil em exigir investimentos em aparatos tecnológicos para a redução de crimes. Nessa lógica, a socióloga francesa Simone Beauvoir afirma que “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a ele”. Essa máxima pode ser facilmente aplicada à passividade dos brasileiros frente aos ínfimos investimentos em tecnologia para frear a criminalidade, dado que o Brasil é o país que mais cobra imposto da América Latina, e, no entanto, não o utiliza de forma proporcional a resolver entraves sociais. Observa-se, por esse ângulo, que a naturalização pela sociedade da arbitrariedade governamental acerca do que ele faz com os tributos é fator determinante para a continuidade de pífios capitais em segurança pública.

Além disso, é imprescindível salientar a omissão da esfera pública em exercer ações que reduzam as mazelas sociais. Nessa perspectiva, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com os problemas sociais a fim de preservar bem-estar. Diante disso, infelizmente, o descuido estatal em dispor sólidos investimentos em recursos avançados que tragam mais eficácia à segurança pública mostra-se como uma postura pouco moral à luz de Dietrich, visto que o bem-estar populacional é posto em segundo plano. Dessa forma, os cidadãos sofrem a negligência governamental e, assim, são fixados à margem das prioridades de investimentos públicos.

Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao corpo civil unido, esfera social que traduz as carências da sociedade, por meio de protestos pacíficos, exigir do poder público investimentos firmes em equipamentos tecnológicos, proporcionais aos impostos pagos, com o objetivo de facilitar e melhorar a segurança do país. Paralelamente, o governo federal deve, por intermédio de tributos coletados, enviar verbas a todos os municípios do país, a fim de concretizar a obtenção de recursos inteligentes para a redução de crimes. Dessa forma, será possível a construção de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer e mais segura.