A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 19/08/2025
“Dói ter que trabalhar com fome carregando comida nas costas”, frase dita por Paulo Lima, conhecido como Galo de Luta - ativista e militante do movimento social de trabalhadores - que explicita as consequências da uberização do trabalho. Tal cenário ocorre, em especial, devido à lógica capitalista e à ilusória ideia de tornar-se um empreendedor, “seja seu próprio patrão “.
No limiar do contexto histórico, o sociólogo e professor Ricardo Antunes, reflete sobre o início desta temática pós crise de 1973 e intensificada em 2009, que desencadeou um avanço tecnológico e levou as grandes empresas e plataformas à decidirem que o trabalho seria cada vez mais: informal, desregulamento e flexível. Marx já alertava que “na sociedade capitalista o indivíduo acredita ser livre, porque não enxerga as amarras sociais que condicionam seu pensamento e sua ação”. Assim, quando não combatido, o capitalismo segue acumulando riquezas com os milhares de trabalhadores que ingressam constantemente nos aplicativos, onde mascaram-se a condição de assalariamento e dão nome de “empreendedorismo”.
Posto isso, o funcionário autônomo que não teve opção senão ouvir a falácia do “empreender”, se vê frente condições que reforçam a precarização de seu cotidiano, exemplos disso são, jornadas extenuantes; necessidade de estar disponível a qualquer momento, visto que depende financeiramente da demanda da empresa; sem férias e direitos trabalhistas; exposto a intempéries climáticas e/ou insegurança no trânsito; não bastante, para ser entregador, também precisa arcar com os custos da bag, que armazena os pedidos. Em muitos casos, como o Galo de Luta nos revela, são pessoas de estômago vazio que fazem o trajeto com o cheiro de comida os acompanhando. É vital pensarmos que liberdade é essa.
Evidencia-se, portanto, que o Governo Federal - instância máxima da administração pública - deve regulamentar as atividades laborais a fim de garantir direitos trabalhistas, por meio de contratos entre as partes. E com auxílio do Ministério Público Federal (MPF), investigar e denunciar as Instituições que descumprirem essa iniciativa ou tentar burla-la. Somente assim, avançaremos a precariedade rumo a dignidade.