A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 09/09/2025

A uberização corresponde a uma forma de trabalho mediada por plataformas digitais — como Uber, iFood e 99 — na qual os trabalhadores atuam como autônomos, sem vínculo empregatício formal. Esse fenômeno se insere na era tecnológica e na chamada gig economy (economia dos bicos), que, embora prometa flexibilidade e autonomia, suscita debates sobre a precarização das relações laborais. Nesse contexto, percebe-se que a uberização fragiliza direitos trabalhistas, amplia a insegurança financeira e transfere os riscos da atividade para o trabalhador.

Sob esse viés, a uberização pode ser compreendida como uma alternativa de liberdade aos trabalhadores, visto que possibilita a gestão autônoma do tempo e a escolha da intensidade de dedicação. Em um cenário de elevado desemprego, essa modalidade oferece acesso rápido à renda e inclui indivíduos que, de outra forma, estariam à margem do mercado formal. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é marcada pela fluidez e pela busca por flexibilidade, o que explica a adesão de muitos à lógica das plataformas digitais.

Entretanto, é inegável que a uberização também representa um processo de precarização laboral, já que os trabalhadores não possuem acesso a direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, como férias remuneradas, 13º salário e aposentadoria. Ademais, a ausência de regulamentação amplia a insegurança financeira e transfere integralmente os riscos da atividade ao indivíduo. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a falta de proteção social e de segurança jurídica em trabalhos mediados por aplicativos intensifica desigualdades estruturais.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas para minimizar a precarização. Nesse sentido, é dever do Poder Legislativo criar uma lei que inclua a uberização nos direitos trabalhistas, por meio de pesquisas e audiências públicas que deem voz aos trabalhadores dessa categoria, a fim de contemplar suas reais necessidades. Dessa forma, a precarização será atenuada, e os motoristas de aplicativos terão melhores condições laborais e de vida.