A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 29/10/2020
Desde o advento da tecnologia — que trouxe consigo a globalização —, plataformas digitais surgiram com o intuito de diminuir a distância entre a oferta e demanda. Com isso, surgiu o fenômeno da “uberização”, que busca por meio de aplicativos garantir a agilidade do entregador e a satisfação do cliente. No Brasil, observa-se a ostensiva precarização presente neste meio de trabalho e a “romantização” dessa relação. Portanto, urge que medidas sejam tomadas em prol de uma verdadeira proteção trabalhista que assegure direito básicos aos trabalhadores da área.
Em primeiro lugar, é notória a necessidade do debate a respeito da problemática em análise. Uma pesquisa realizada pela Associação Aliança Bike revelou que, na cidade de São Paulo, o perfil geral dos entregadores de aplicativos é de jovens periféricos que trabalham cerca de doze horas diárias — por sete dias semanais — e recebem mensalmente a pequena quantia de 936 reais. Tendo isso em mente, entende-se o motivo da Breque dos Aplicativos realizada em 2020; por mais que a mídia não mostre, a vida desses entregadores que buscam fontes de renda está em constante risco com jornadas excessivas e baixa remuneração.
Em segunda instância, na atual pandemia do COVID-19, serviços de aplicativo foram ainda mais requeridos e, desta maneira, mais trabalhadores se colocaram em risco na crise econômica vigente. São muitos os indivíduos que realmente acreditam que, com o auxílio da tecnologia, trabalhos como este proporcionam maior liberdade, efetividade e autonomia aos que se dispõem a realizá-lo; todavia, na sociedade, a injustiça social se faz muito presente e os trabalhos de delivery apenas comprovam o fato. Não há dúvidas de que, para os entregadores, muitas vezes — infelizmente — esta acaba sendo a única oportunidade de crescimento econômico pessoal.
Por conclusão, urge que medidas sejam realizadas para amenizar a problemática discutida. Cabe ao governo federal e ao poder público assegurar direitos básicos, maior remuneração e uma vida digna a estes trabalhadores por meio da criação de leis que sejam, de fato, executadas e fiscalizadas. Somente desta maneira a proteção trabalhista existirá de fato e os futuros entregadores de aplicativo não terão que lidar com tamanha pressão, subordinação e precarização da “uberização” do trabalho tecnológico contemporâneo.