A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 30/10/2020

No contexto da ‘‘Revolução Industrial’’, os ludistas eram trabalhadores que destruíam as máquinas de seus patrões por enxergarem nelas as causas das péssimas condições de trabalho da época. Nesse sentido, os aplicativos e serviços tecnológicos fazem um paralelo com o maquinário do passado, visto que, podem ser considerados os culpados pela “uberização” dos serviços, prática que desburocratiza as relações entre patrão e empregado e que causa prejuízos aos últimos. Dessa maneira, é urgente discutir a questão, pois, tal realidade diminui os direitos dos funcionários, além de dificultar construção de uma sociedade igualitária.

A princípio, é importante notar que a falta de vínculos empregatícios pode impactar negativamente aquele que oferecem o serviço. Isso é perceptível, por exemplo, na condição dos entregadores de aplicativo, os quais ,segundo o jornal BBC, são cerca de 5 milhões no Brasil, que carecem de direitos trabalhistas importantes, como hora extra e equipamentos de segurança, por se enquadrarem como trabalhadores terceirizados. Essa conjuntura é fruto de ideais liberalistas, tais como o do filósofo Adam Smith, que pregava a liberdade econômica como meio benéfico de ajuste do mercado. Porém, a instabilidade econômica de vários países, como o Brasil, faz com que muitos indivíduos aceitem a falta de direitos oferecidos pelo Estado por uma renda, o que precariza o trabalho na atualidade.

Outrossim, é visto que a uberização dos serviços aumenta as distâncias entre empregado e patrão, fato que dificulta a construção de uma sociedade igualitária. Tal panorama se relaciona com a ideia do sociólogo Karl Marx sobre a “Mais-Valia” , uma vez que, devido aos baixos salários oferecidos, empresas como Ifood e Rappi desenvolvem grandes margens de lucros que não são repassadas aos funcionários. Isso é preocupante , pois, promove a desigualdade social no país, a qual impede que milhões de trabalhadores consigam os elementos básicos para uma vivência digna, como alimentação, moradia e saúde.

Portanto, infere-se que a uberização, sem os ajustes necessários, é capaz de impactar negativamente o trabalhador como a Revolução Industrial o fez no Século 19, sendo importante mudar essa realidade. Para isso, é preciso que o Governo Federal garanta que as leis trabalhistas sejam eficazes para todos os empregados, por meio da fiscalização de empresas que trabalham no modelo Uber , por exemplo ao verificar se os prestadores de serviço  recebem um salário mínimo e que possuem material de trabalho adequado, a fim de evitar que haja precarização do funcionário. Ademais , é papel da sociedade discutir sobre a importância das empresas em não explorar seus subalternos, para que o país se torne justo e igualitário.