A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 05/11/2020

O filme tempos modernos, protagonizado por Charlie Chaplin, retrata a famosa cena das máquinas tragando o personagem. Hodiernamente, as tecnologias, com a “uberização” do trabalho, continuam conquistando o território laboral do ser humano, substituindo-o ou rebaixando-o. Com efeito, tal avanço representa evolução e liberdade, contudo, também imprime um quadro de retrocesso no âmbito social-econômico.

Sob esse viés, no mundo altamente mercantilista, o trabalhador tornou-se apenas um número. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a atual coesão social dá-se por meio da solidariedade orgânica, cuja interdependência entre os atores é predominante. Desse modo, embora haja uma sensação de liberdade e autonomia no emprego, todos os atores estão interligados, formando uma massa homogênea de fácil substituição em caso de não correspondência às suas atribuições. Evidentemente, a fila de substitutos é gritante, tornando o capital humano desvalorizado.

Nesse sentido, resta a quem trabalha subempregos ou nenhum emprego. Conforme a assertiva de Florestan Fernandes, antropólogo, “Um povo educado não aceitaria as condições de miséria e desemprego como as que temos”.  Logo, a falta de educação de qualidade contribui para essa crise, visto que dificulta para o cidadão reinserir-se no mercado e, além disso, prejudica seu senso-crítico, o que possibilitaria de evitar tal obsolescência, calcular melhor seu caminho e tomar melhores rumos. Assim, o Estado permite a deposição e impede superação da informalidade.

Infere-se, portanto, que o sucesso tecnológico tem provocado retração na empregabilidade. Assim, para que haja um equilíbrio entre as forças tecnológicas e braçais, o Ministério da Economia deve instituir taxação para robôs que substituem funções humanas, por meio de um imposto que tenha como destino a recompensa à população pelo déficit. Ademais, precisa, juntamente com o Sistema S, capacitar as pessoas com cursos técnicos que irão proporcionar-lhes melhores colocações. Então, o ser humano não precisará temer o avanço mecânico, pois também avançará.