A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 29/10/2020
O motorista de aplicativo da plataforma RAPPI, Thiago de Jesus Dias faleceu aos 33 anos devido a um acidente durante uma entrega. Assim o mesmo e sua família não teve nenhum tipo de assistência, da empresa de aplicativo ou dos serviços públicos. Ao refletir a respeito da ‘’uberização”, no século XXI, a problemática ocorre em virtude da flexibilidade do trabalho e a falta de empregos, logo a condição de trabalho é desumana. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica. A princípio, torna-se possível perceber, que no Brasil tem uma das mais altas taxas de desemprego, isso faz com que a população encontre outros meios de sustento.
Diante disso, percebe-se de acordo com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desemprego foi de 12,9%, atingindo 12,7 milhões de pessoas. De maneira análoga, identifica-se que a uberização é uma alternativa para o desemprego, uma vez que os aplicativos se tornaram tão comuns. Em suma, desde os processos denominados “revoluções industriais”, o mundo tem priorizado produtos e mercado em detrimento de valores humanos essenciais e a flexibilização do trabalho é uma consequência desse processo.
Desse modo, as condições de trabalho dessas pessoas é precário. A vista disso, nota-se, não possuem carteira de trabalho assinada não possuem férias, auxílio doença, férias remuneradas, 13º salário e previdência social, tais direitos trabalhistas que se tornaram em vigor desde a criação da carteira do trabalho pelo presidente Getúlio Vargas. Seguindo essa linha de pensamento, verifica-se que é uma relação de trabalho escrava de acordo com os parâmetros modernos.
Por conseguinte, fica claro que, ainda há entraves para assegurar a construção de um mundo melhor. Destarte, faz-se imprescindível que o Ministério do Trabalho em conjunto com as empresas de aplicativos estabeleçam uma carteira de trabalho virtual, na qual sejam estabelecidas direitos trabalhistas, de modo que possa oferecer uma garantia de emprego e leis de trabalho para eventuais acidentes, com o objetivo de que os motoristas de aplicativos possam trabalhar em condições melhores. Conforme já dito pelo ativista Nelson Mandela, educação é capaz de mudar o mundo. Portanto, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, na sociedade civil, conferências gratuitas, em praças públicas, ministradas por psicólogos, que discutam o combate a precarização desses trabalhadores, de forma que o tecido social se desprenda de certos tabus e não caminhe para um futuro degradante.