A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 30/10/2020
Na série de televisão “Years and Years”, é retratado o cotidiano exaustivo de um indivíduo que, ao ser demitido de uma empresa, torna-se entregador de um aplicativo. De maneira análoga, nota-se que, nos últimos anos, com o aumento da “uberização” do trabalho, muitos debates têm sido levantados a cerca do tema, pois se por um lado esse modelo permite maior autonomia por parte do trabalhador, por outro reflete uma realidade de desemprego, na qual os indivíduos não possuem outra alternativa de sobrevivência.
Primeiramente, observa-se que o trabalho informal permite maior liberdade aos prestadores de serviço, pois não há horários fixos a serem cumpridos ou metas a serem batidas. Nesse sentido, ao analisar o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, o qual acredita que a vida moderna é incapaz de manter a mesma identidade por muito tempo, evidencia-se que, com o passar dos anos, é esperado que o modelo antigo de emprego se torne pouco atrativo para as pessoas que buscam autonomia e flexibilidade na forma como gastam seu tempo e realizam suas atividades.
Entretanto, por outro lado nota-se que o trabalho informal no Brasil, é reflexo do enorme desemprego, o qual a sociedade tem sido submetida. Isso é confirmado, por meio de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os quais constam que mais de doze milhões de brasileiros se encontram sem vínculo empregatício em 2020. Assim, a prestação se serviços informal torna-se principal alternativa de sobrevivência para grande parte da população, que passa a cumprir jornadas de atividades exaustivas e sem qualquer regulamentação, recebendo muito pouco por isso.
Logo, é necessário que o governo, por meio de parceria com as empresas privadas, estabeleça medidas de proteção ao trabalhador informal. Para isso, deve ser destinada verba a fim de garantir que em caso de acidente, assalto ou doença, o trabalhador receba por três meses o valor correspondente ao seu tempo de trabalho com aquele aplicativo. Além disso, os valores ganhados pelos serviços prestados devem ser fiscalizados constantemente, para que não haja exploração do trabalhador. Com isso, espera-se que o mercado de trabalho informal seja mais digno para os cidadãos do Brasil.