A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 30/10/2020
As mudanças que ocorreram com a Revolução Tecnocientífica redefiniram, de forma expressiva, a sociedade a partir do século XX. Nesse cenário, a tecnologia tornou-se um mecanismo imprescindível para inúmeras relações socioeconômicas, como acontece no Uber, por exemplo. Assim, é importante compreender como a participação governamental, bem como a adaptação educacional são necessárias nesse contexto.
Em primeira análise, nota-se que a frequente ausência do governo na regularização de trabalhos dependentes da tecnologia compromete a tese defendida por Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”. O filósofo, acredita que é dever do Estado garantir, não só os direitos naturais, mas também a felicidade dos cidadãos. No entanto, o descaso legal com a ascendente classe trabalhadora adaptada à era tecnológica submete grande parcela da população brasileira à marginalização dos diretos trabalhistas, o que é uma bolha socioeconômica preocupante.
Ademais, a inadaptação educacional ao mercado “uberizado” de trabalho é um entrave. Sobre isso, o educador Paulo Freire defende, no livro “Pedagogia do Oprimido”, que o ensino é uma ferramenta libertadora cujo objetivo é despertar a consciência social do aluno. Contudo, o atual sistema educacional brasileiro introduz, de forma limitada, atividades didáticas que corroborem o desenvolvimento da criatividade tecnoeconômica do estudante. Consequentemente, tal processo é responsável por formar uma camada social despreparada para lidar com a constante modernização da economia.
Portanto, medidas são necessárias para equacionar o quadro em questão. Logo, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio de alterações na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) - como a adição de oficinas extracurriculares relacionadas ao mercado de trabalho - deve preparar os estudantes para a realidade economicamente dependente da tecnologia. Com isso, espera-se que a “uberização” ocorra, a longo prazo, de forma democrática e segura no país, garantindo a proposta de Aristóteles.