A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 30/10/2020
No filme “Tempos Modernos”, o narrador retrata a vida de operários na revolução industrial, em que houve uma passagem da produção artesanal, para a produção em série. No decorrer da obra, os operários submetem-se a uma forma de produção em que não era mais de acordo com condições físicas e psicológicas, mas para uma forma de produção que visa maior lucro para a empresa. Nesse contexto, fora do filme, o Brasil sofre problemas na busca de trabalhos formais, tendo em vista que isso favorece no aumento de desempregados no país, mas também, abre oportunidades no trabalho informal.
Em primeira analise, vale salientar que a utilização de aplicativo no trabalho agrava o impasse. Isto é, de acordo com jornal “Folha de São Paulo”, cerca de 55% das pessoas que trabalham com aplicativos (como Uber, Ifood, 99 e Rappi) ultrapassam as oito horas trabalhadas. Ademais, apesar de os aplicativos defenderem a autonomia dos funcionários, muitos especialistas acreditam que essa liberdade não existe de fato, ou seja, para as pessoas trabalharem por aplicativos elas precisam preencher vários requisitos ou passar por uma seleção, por exemplo, ter preços estabelecidos pelos aplicativos, punições e multas para os funcionários. Dessa forma, a ausência de direitos e excesso de deveres é crucial para o trabalhador pedir demissão.
Além disso, cabe ressaltar que há funcionários sem formação ou escolaridade, o que impede de conseguir um emprego formal, direcionando-se ao desenvolvimento de atividades informais para garantir o seu sustento. Assim, de acordo com o jornal “Estadão”, a falta de trabalho formal para a população fez com que 38 milhões de pessoas fossem em busca de uma nova fonte de renda. Logo, consequentemente, sofrem ausência nos direitos trabalhistas, como carteira assinada, direito á aposentadoria e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Desse modo, quanto maior for seu nível de escolaridade, maiores serão as chances de se manter em seu trabalho por longos períodos e de competir por melhores oportunidades de mercado.
Urge, portanto, necessidades de medidas tangíveis que não afetam esses autônomos. Assim, o Ministério do Trabalho (MTb), por meio do senado, deve criar uma lei, com objetivo de reduzir o desemprego e acabar com a falta de direitos trabalhistas para esses trabalhadores, ou seja, essas pessoas passariam a trabalhar para o governo. Logo, beneficiaria a sociedade brasileira com a redução dos trabalhos informais e o aumento de oportunidades de empregos no mercado. Assim sendo, o Brasil não estava dentro da crítica feita pelo o filme, sobre o sistema de produção das industrias na revolução industrial.