A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 30/10/2020

Com a Revolução Técnico Científica introduzida por Steve Jobs, nos anos 90, fez com que a Revolução Industrial chegasse a um novo patamar: a era das tecnologias. Nesse contexto, novas formas de trabalho se desenvolveram, como a chamada “uberização”. Embora alguns considerem esse modelo uma forma de trabalho mais livre, é evidente a precarização de vários setores em que está presente, além do impacto na saúde mental dos que praticam, principalmente no Brasil.

A crise econômica brasileira, que vem se intensificando desde 2012 e agravada com a pandemia do coronavírus, aumentou as taxas de desemprego e, consequentemente, a busca pelo trabalho informal. Assim, formas de trabalho “uberizadas”, como os entregadores de aplicativos, foram alternativas para a crise. Contudo, a massificação desse tipo de trabalho é preocupante. Nele, os trabalhadores não possuem nenhuma garantia trabalhista (normas da CLT), sendo as empresas contratantes as únicas reguladoras, as quais submetem seus funcionários à longas jornadas e baixas porcentagens de retorno financeiro.

Vale ressaltar ainda que a saúde mental daqueles que praticam modelos de trabalho flexíveis também está sendo prejudicada. Nesses casos, o que era para ser um trabalho adaptável se tornou um trabalho sem horário definido, em que lazer e responsabilidades se sobrepoem e o índividuo precisa estar sempre alerta. Prova disso, é o aumento crescente de casos de Síndrome de Burnout, de acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa síndrome é caracterizada pelo estresse crônico consequente do esgotamento mental relacionado ao trabalho ininterrupto e à hipernocectividade.

Portanto fica evidente a necessidade de alternativas para contornar esses problemas. Sendo assim, o Governo Federal deve criar leis que regulamentem na CLT este novo formato de trabalho, definindo valores, como horas de jornada e pagamentos justos. Desta maneira, os trabalhadores estarão assegurados e a “uberização” será algo positivo.