A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 30/10/2020

O sindicalismo é um movimento social pautado na luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho, que já realizou conquistas significativas no que tange aos direitos básicos dos trabalhadores. Entretanto, diversas categorias como a dos entregadores por aplicativo vêem seu trabalho ser precarizado. Tal cenário corrobora para dois grandes problemas, a saber: a manutenção da desigualdade social e a ausência dos direitos trabalhistas.

Mormente, é válido ressaltar que nessa nova forma de trabalho, propiciada pela era tecnológica, as desigualdades sociais são fortalecidas. Isso acontece pelo fato de que, como defendia o sociólogo Karl Marx, a força de trabalho é tratada, pelos grandes empresários, como mercadoria. Dessa forma, ao pagar um preço baixo por esse trabalho e ao vendê-lo de forma a aumentar exponencialmente seus lucros, o empresário se torna cada vez mais rico em detrimento do trabalhador que não tem a devida remuneração pelo seu trabalho.

Por conseguinte, o descaso com os trabalhadores é percebida na ausência de seus direitos trabalhistas. Um exemplo disso é que, devida a falta da carteira assinada, o tempo de trabalho nessa profissão não será levada em conta no cálculo do direito à previdência. Assim, o descaso do Estado para com esses trabalhadores fere o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana.

Destarte, urge que medidas acerca da problemática sejam tomadas. Cabe ao estado a regulamentação dos direitos trabalhistas da classe dos entregadores, de modo que esses tenham suas carteiras de trabalho assinadas, garantindo assim, seus direitos básicos. Essas mudanças devem dar um prazo de, no máximo, um ano para as empresas se adequarem ao novo modelo.