A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 03/11/2020

A princípio, a Segunda Guerra Mundial, finalizada em 1945, foi responsável pela modificação da estrutura de trabalho na era contemporânea, denominada Nova Divisão Internacional do Trabalho (DIT). Desse modo, as novas formas de trabalho referem-se a diminuição da burocracia trabalhista, com a flexibilização da carga horária e o local de trabalho, por exemplo a representada pelo Uber, isto é um aplicativo com motoristas, que substituíram os antigos taxistas, graças ao menor valor da corrida e a maior disponibilidade. Porém, essa realidade não reflete a melhoria das condições de emprego, salário e bem estar do trabalhador. Logo, a “uberização” do trabalho na era tecnológica é responsável pela precarização do sistema trabalhista pois promove uma falsa sensação de liberdade ao indivíduo.

Nesse sentido, o filósofo Michel Foucault, ao estudar as relações de poder na era contemporânea, definiu estruturas -Igrejas, Escolas, Trabalho- que realizam a doutrinação dos indivíduos de modo sútil e que por finalidade cria “Corpos Dóceis”. Assim, essa estrutura de poder é uma ferramenta utilizada, pelo sistema trabalhista, para promover uma falsa sensação de liberdade ao funcionário e o estimular a possuir um maior rendimento. Essa realidade é um fato pois mesmo que os motoristas não sejam vigiados por um gerente, como ocorre nos empregos tradicionais, agora são avaliados pelos próprios passageiros com até cinco estrelas -referentes ao humor, assunto e o modo de dirigir da pessoa- a fim de estipular o tipo de serviço prestado e se for o caso, excluí-lo do emprego como Uber, ou seja, tornam-se corpos facilmente controlados mesmo fora do ambiente de trabalho comum.

Outrossim, a efetivação desse processo doentio é realizado, de acordo com o sociólogo Karl Marx, a partir da Alienação do trabalhador, ou seja, o processo de não conhecimento do motivo de determinada ação dentro do sistema Capitalista. No entanto, os danos desse processo são reconhecidos ao analisá-los dentro das fábricas, mas o perigo eminente é ao verificar esse processo no sistema trabalhista atual, em que as modificações realizadas pelo mercado de trabalho buscam transmitir a sensação de bem estar, com a introdução de programas para autônomos -Uber- o qual o indivíduo acredita que possui maior liberdade para trabalhar em casa mas o processo de observação e cerceamento do rendimento é o mesmo.

Afinal, é importante que o Ministério do Trabalho crie uma lei que fiscalize os aplicativos de trabalhadores informais, como o Uber, e institua campanhas de conscientização. Para isso o Governo Federal deve enviar agentes responsáveis em verificar o cotidiano dos trabalhadores e enviar relatórios ao Governo Federal, a fim de demonstrar as consequências da exausta jornada de trabalho. Somente assim a “uberização” do trabalho não será mais responsável pela Alienação e Docilização dos corpos.