A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 31/10/2020

Durante a segunda metade do século XIX, uma das maiores preocupações de Karl Marx, sociólogo alemão, era a alienação nas indústrias e a exploração nessas. Todavia, nem mesmo tal figura pública poderia prever a alta precarização do trabalho, nos dias atuais, por conta da uberização - tendência de usar a tecnologia para desenvolver serviços. Dessarte, é notório a influência do imediatismo e a ausência de suporte estatal nessa problemática, dificultando o bem-estar dos proletariados.

Em primeiro plano, a procura incessante por capital aumenta a demanda de empregos autônomos. Diante disso, de acordo com Zygmunt Bauman, é evidente o imediatismo -necessidade de resultados instantâneos- na sociedade, por isso, a população tem visado dinheiro rápido, aderindo à trabalhos sem carteira assinada. Entretanto, tais ofícios, quando interligados à internet podem significar uma excessiva carga horária, como dito pela revista “Carta Capital”, já que não há fiscalização, logo, promove-se um alto cansaço mental e físico, de acordo com tal publicação.

Ademais, a ausência de leis trabalhistas nesse âmbito promove o aumento da exploração e alienação. Assim, como exposto pelo sociólogo Thomas Hobbes, a ação do governo é essencial nesse caso, já que  as empresas não estão preocupadas com a exploração do proletariado, pois, assim como esses, visam o lucro imediato. Desse modo, a exploração evidenciada por Karl Marx se adaptou ao âmbito tecnológico, ou seja, o profissional tem contato constante com o trabalho, por meio de eletrônicos, apesar de não estar em horário de serviço, precisando de mudanças.

Portanto, ressalta-se a necessidade de minimizar o imediatismo social, por intermédio de uma intervenção estatal. Para tal, o Ministério do Trabalho deve, por meio da mídia -principal responsável pela propagação de informação- promover propagandas conscientizadoras. Tais publicações devem evidenciar os efeitos negativos do imediatismo e mostrar a importância da carteira assinada, por fim, os cidadãos não irão mais promover a uberização, por conta dessa ação governamental.