A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 25/11/2020
O filme britânico-franco-belga “Você não estava aqui” narra a história de “Ricky” que, por estar desempregado, aceita ser motorista de entrega de encomendas. Porém, a situação torna-se prejudicial ao personagem devido à instabilidade de seu trabalho, no qual ele não possuía garantias e vínculos empregatícios. Semelhante à ficção é a realidade brasileira, em que trabalhadores têm sido prejudicados pela precarização das relações trabalhistas, fato que é notório na uberização do trabalho. Assim, a falta de melhores chances e a falsa ideia de liberdade estão dentre os principais problemas ligados ao tema. Desse modo, é preciso medidas que garantam o bem-estar da sociedade brasileira.
Inicialmente, destaca-se a escassez de melhores meio como causa do sucesso da uberização do trabalho. Nessa perspectiva, remonta-se à Era Vargas, em que foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como forma de melhorar as condições dos trabalhadores, ao assegurá-los direitos, tais como segurança e salário mínimo. Todavia, atualmente, no Brasil, parcela da população se submete ao trabalho sem relações empregatícias e, assim, não usufruem de garantias trabalhistas, o que faz com que ela enfrente problemas, fato que se evidencia quando ocorre assaltos e acidentes no trabalho, nos quais o prejuízo é exclusivo da vítima. Isso advém, sobretudo, pelo crescente desemprego estrutural, que faz com que indivíduos veem na uberização uma forma para prover o seu sustento.
Ademais, convém lembrar acerca da falsa liberdade como propulsora da uberização do trabalho. Nesse caso, brasileiros encontram nesse tipo de trabalho um ideal empreendedor, já que, para eles, a tecnologia aliada à ausência de um patrão garante liberdade para realizar sua tarefa. Contudo, o que acorre é a subordinação do indivíduo a um algoritmo que irá determinar tudo o que ele fará, desde o preço do trabalho até a sua avaliação pelos clientes. Dessa forma, um entregador, por exemplo, só irá trabalhar quando for solicitado e, assim, o seu lucro poderá oscilar, o que não garante uma renda fixa. Tal situação relaciona-se com o modelo toyotista de produção, em que as relações são mais flexíveis e o trabalhador, em comparação com as máquinas, torna-se “just-in-time”: trabalha sob demanda.
Logo alternativas devem ser apresentadas para a resolução da problemática que envolve a uberização do trabalho no Brasil. O Ministério da Economia - cuidador da política econômica nacional - deve investir na criação de postos de trabalhos, por meio do incentivo à instalação de indústrias nas cidades - afim de oferecer aos brasileiros melhores oportunidades de trabalho com direitos. Outrossim, o mesmo órgão deve realizar campanhas com o intuito de conscientizar os brasileiros sobre o conceito de empreendedorismo, para que eles entendam que não possuem autonomia neste trabalho. Com tais ações, o brasileiro desfrutará de um trabalho melhor, em contraste com a obra cinematográfica.