A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 01/11/2020

A atual Quarta Revolução Industrial não se define por cada uma de suas tecnologias surpreendentes de forma separada, mas pela convergência e sinergia entra elas. Nesse contexto, essas tecnologias estão fundindo o mundo físico, digital e biológico, o que pode ser exemplificado, hodiernamente, pelos empregos por meio de aplicativos, como Uber e Ifood. No que se refere à esses novos empregos, é possível destacar tantos aspectos positivos, como mais oportunidades de empregos, quanto negativos, como a precariedade destes mesmos empregos.

Nesse contexto, é um fato que esses “apps” geraram empregos, afinal, segundo o site de notícias UOL, empresas como Uber, 99, Rappi e Ifood, em conjunto, são o maior “empregador” do Brasil, com quase 4 milhões de empregados. Outro benefício a ser levado em conta  é a relativa liberdade proporcionada, principalmente, em relação à horários, haja vista que mais de 17 milhões de brasileiros os utilizam para complementar a renda.

No entanto, há aspectos negativos também, como a precariedade desse serviços, para o empregado, tendo em conta um exemplo comum, presente na revista CartaCapital, uma pessoa pode trabalhar de 12 a 18 horas por dia e de segunda à segunda, para obter uma renda de R$ 2500 no app Uber. Vale salientar que, de acordo como Clemente Ganz Lúcio, diretor do Departamento de Pesquisa Ligado aos Sindicatos, a reforma trabalhista aprovada pelo Governo Temer em 2017, teve uma alteração radical, que basicamente, permitiu tratar qualquer funcionário como autônomo.

Sendo assim, Segundo, Ganz, a reforma de 2017, foi feita justamente para legalizar situações de trabalho antes consideradas ilegais, porem, segundo ele, isso não gerou empregos, afinal, não foram criados novos postos de trabalhos, e sim trocas de vagas formais por relações precárias. Dessa forma, para amenizar o problema retratado, seria necessário uma intervenção do Estado, garantindo condições mínimas de trabalho, como carga horária diária delimitada e ao menos uma folga na semana, para que assim o cidadão tenta uma qualidade vida melhor.