A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 02/11/2020

Com o advento das Revoluções Industriais, o avanço tecnológico propiciou profundas mudanças na dinâmica social e no mercado de trabalho, sendo que a ‘‘uberização’’ se tornou alvo de questionamento no âmbito social. Com isso, a ausência de políticas públicas eficientes que equiparam os indivíduos é evidente, em que a marginalização e a falta de segurança são aspectos a ser debatidos. A manutenção dessa conjuntura, aliada à inércia do Governo frente ao problema eminente agrava o cenário.

Inicialmente, cabe pontuar que o indivíduo contemporâneo é caracterizado como fraco e facilmente manipulável. Nessa ótica, de acordo com o pacifista indiano, Mahatma Gandhi, ‘‘a natureza pode suprir todas as necessidades do homem, exceto a ganância’’, ou seja, materializando o pensamento para realidade atual, as empresas buscam por meio da uberização o lucro sem ter a responsabilidade de arcar com a segurança e o custo das ferramentas necessárias para o trabalhador, acarretando diversos entraves para o cotidiano do mesmo. Todavia, o preconceito e a visão marginalizada dessa classe trabalhadora também é notório, em que a desvalorização desses indivíduos gera um sentimento de desamparo pela esfera jurídica, sendo vulneráveis a exploração.

Outrossim, a inércia do Governo diante do problema eminente agrava o cenário. Nesse contexto, a necessidade de leis trabalhistas para esse novo mercado tecnológico é de extrema importância, em que a precariedade na infraestrutura do empregado ocasiona uma maior desigualdade de lucro e gasto em relação ao empreendedor, que aproveita as brechas legislativas. Entretanto, as divergências na contratação rigorosa dos funcionários também é perceptível, no qual pela demanda do uso do aplicativo as contratações acabam sendo falhas no processo, oferecendo riscos para o cliente que utiliza a plataforma para transporte, comidas e dentre outros.

Torna-se evidente, portanto medidas cabíveis para amenizar o problema que assola a sociedade brasileira. Em primeira instância, o Ministério do Trabalho, em conjunto com o poder legislativo, criar e aumentar a fiscalização de leis para os trabalhadores de aplicativos, visando proteger juridicamente tanto o empreendedor quanto o empregado. Concomitantemente, as empresas das plataformas, em parceria com o Governo, promover projetos que valorizam e viabilizam ajuda a esses trabalhadores, por meio de auxílios e planos de saúde, com intuito de estimular e dar o devido conforto e segurança para esse tecido social. Feito isso, de fato a racionalidade crítica minguaria os desafios da uberização do trabalho na era tecnológica no ãmbito social.