A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 02/11/2020

Com a “Quarta revolução industrial”, que está sendo estabelecida no século XXI, observamos transformações na conjuntura trabalhista vigente, de forma que grande parte da população desempregada ou localizada na classe do “subemprego” está buscando trabalhos informais, agora também modificados, com um veículo intermediador: a mídia e os aplicativos de celular. O novo modelo, denominado “uberizado”(neologismo referente à um destes aplicativos), tem como característica a formação de uma classe trabalhadora autônoma, sem carteira de trabalho e extremamente mal remunerada, esta, que sofre as consequências de um sistema impositivo, no qual é o trabalhador que deve adaptar-se às novas mudanças da era tecnológica.

Em primeiro lugar, é válido citar uma frase da autora Mary Shelley:" O homem é livre à ‘autoescravatura". Tal citação tem direta referência ao modo de trabalho atual, de maneira que, todos são livre para determinar o rumo de suas vidas e de suas carreira, mas, em grande parte dos casos, por necessidade de sobreviver e sustentar suas famílias, vão ser forçados pelo sistema à entrar neste mercado “uberizado”, se submetendo a longos turnos, jornadas de riscos, remuneração baixa, ou seja, à uma escravatura no século XXI.

Em segundo lugar, observamos que uma segunda causa, que contribui para o aumento gradativo do trabalho “uberizado” é a grande onda de desemprego que assola o país. Segundo dados do IBGE, mais de 13 milhões de pessoas estão inseridas na classe de desempregadas, tal condição vai fazer com que este grupo busque por novas formas de trabalho, mesmo que estas sejam informais, aderindo estágios de “streaming”, “taping” e “delivery” como são denominados as transmissões e gravações online e entregas dos mais diversos produtos. Como consequência disso, temos também uma quebra da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), que garante os direitos dos trabalhadores, como aposentadoria, décimo-terceiro salário, direito a fundo de garantia, regalias que foram alcançadas depois de muita luta, agora, facilmente serão descartadas por um modus operandi imposto pelo sistema capitalista.

Portanto, é nítido que mudanças devem ser feitas para que o Brasil saia desta condição de “uberizado”. Logo, deve ocorrer uma ressignificação do trabalho, de modo que as pessoas passem a se manifestar nas ruas e pela mídia, buscando uma transformação no mercado atual, exigindo a criação de mais empregos, de novos fluxos de trabalhos incluídos na CLT, com o intuito de acabar com o crescimento do trabalho informal. Somente desta forma, será possível transformar o modelo imposto pelo sistema, criando um novo sentido para o trabalho no Brasil, com mais empregos e com a diminuição da classe desempregada.