A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 02/11/2020
O conto “famigerado”, do escritor Guimarães Rosa, relata o diálogo entre o médico e um jagunço, fazendo, o médico, uma deturpação da pergunta sobre o que significava a palavra “famigerado”, mostrando, dessa forma, que o poder do conhecimento pode fazer com que uns se sobressaiam sobre outros. Trazendo para a realidade, a sociedade tem vivenciado a era tecnológica, onde aqueles com mais conhecimentos possam estar um passo à frente, como o trabalho online em meio ao desemprego, por exemplo. A partir disso, é necessário entender de que maneira essa era tecnológica pode ser usada a favor dos trabalhadores e, se não bem planejada, quais problemas acarretam consigo.
A priori, o aplicativo de celular “Rappi” tem ganhado bastante força entre a sociedade devido à sua “uberização”. Sendo assim, as pessoas acessam o aplicativo por meio da internet e fazem os seus pedidos, desde comidas em estabelecimentos até a compra de remédios, cabendo aos funcionários cadastrados no aplicativo fazerem a compra dos produtos solicitados e levar até os destinatários. Dessa maneira, pessoas que antes não tinham empregos, agora, por meio da internet, podem virar “uber’s”, disponibilizando o seu tempo para trabalhar comprando e entregando as compras solicitadas em seus cadastros, garantindo, desse modo, a sua rentabilidade mensal e seu sustento, além da diminuição das taxas de desemprego.
Outrossim, trabalhar como Rappi, por exemplo, pode trazer pontos positivos para os funcionários, como o seu sustento e liberdade trabalhista (já que eles entregam compras que eles mesmo aceitam), como também pontos negativos, como o cansaço extremo por motivos de querer aumentar, cada vez mais, a sua renda e não medir o tempo necessário para descanso. Ademais, segundo o filósofo Michel Foucault, “todo ser humano é uma construção biológica”, necessitando, esses trabalhadores, de descanso e alimentação adequada, porém, não é o que acontece com muitos desse trabalhadores, já que muitos deles trabalham horas seguidas sem descanso e sem se alimentar direito, segundo uma entrevista feita por um dos entregadores da Rappi para o site virtual do UOL.
Destarte, faz-se mister que o Ministério do Trabalho, em acordo com os donos dos aplicativos de delivery, viabilizem formas de melhorias para esses trabalhadores informais, tendo, por exemplo, algum convênio com planos de saúde para que seja garantido o bem-estar deles. É necessário, também, que sejam usados os meios midiáticos como forma de veiculação de comerciais voltados para o enriquecimento intelectual da população, mostrando formas de trabalho como esses deliverys ou trabalhos em “home office”. Tal ação fará com que, assim como no conto “famigerado”, outras pessoas obtenham o conhecimento, diminuindo o desemprego e aumentando a qualidade das “uberizações”.