A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 07/11/2020

O filme “Você não estava aqui” problematiza a “uberização” do trabalho, evidenciando como uma falsa promessa por independência resulta na precarização da vida do trabalhador. Esse olhar cinematográfico evidencia a importância da discussão acerca desse tema, em razão da contradição que o novo modelo trabalhista propõe. Diante disso, cabe pontuar que a “uberização” do trabalho, apesar de promover a liberdade para alguns, acarreta no aprofundamento de desigualdades, bem como rever de que forma este novo modelo pode resultar na precarização das condições de trabalho.

Em face desse questionamento inicial, cabe pontuar que a união entre a economia e a tecnologia leva à conectividade, uma vez que facilita a interação entre consumidor e serviço. Nessa lógica, este promove um aumento da liberdade do empregado, considerando que a falta de um vínculo empregatício direto com o patrão, permite uma flexibilidade perante seu trabalho. Contudo, ao analisar a realidade brasileira, percebe-se que a falta de acesso às tecnologias, devido às desigualdades sociais, contribui para que esse modelo de trabalho aprofunde as disparidades já existentes. Por conseguinte, fica claro que a “uberização” do trabalho, apesar de facilitar a conexão entre oferta e demanda, promovendo uma maior liberdade, promove a exclusão, na medida que há uma falta de acesso às tecnologias.

Ainda nessa linha, convém analisar que este novo modelo leva a precarização, já que o trabalhador deixa de estar protegido pelas leis trabalhistas. Além disso, não se pode negar que a empresa não possui obrigações legais com o terceirizado, sendo dever deste arcar com as despesas e prejuízos do seu trabalho. Sob essa ótica, ressona a ideia de que o mundo capitalista, segundo Karl Marx, é marcado pela exploração do trabalhador na tentativa de atingir o lucro máximo. Dessa forma, compreende-se que a “uberização” se configura como um outro meio de atingir o lucro máximo pelas empresas, as custas da precarização da qualidade de vida e de trabalho do empregado.

Diante do exposto, urgem medidas para solucionar a problemática. Para tanto, é preciso que o Poder Legislativo, em parceria com o Ministério do Trabalho regule a relação entre empresas de aplicativos e seus trabalhadores. Isso ocorrerá por meio da criação de leis específicas para este novo modelo, além da fiscalização para garantir que os requerimentos dessas leis estão sendo cumpridas pelas empresas. Dessa forma, objetiva-se certificar condições de trabalho dignas para os empregados, na tentativa de diminuir a precarização do trabalho. A partir dessas ações, espera-se amenizar o problema, de modo que a situação de precariedade, evidenciada pelo filme “Você não estava aqui”, seja superada.